sábado, 10 de março de 2018

Quem foram Sócrates e Platão?

Busto de Sócrates
Sócrates e Platão influenciaram, de maneira determinante, o pensamento e as ciências do antigo mundo grego e europeu. O impressionante é que esses homens viveram há mais de 350 a.C. e, no entanto, desenvolveram uma teoria extraordinária, utilizando apenas a única ferramenta que, segundo Sócrates, é o guia mais seguro para o homem descobrir a verdade: o pensamento. Para ele, o corpo com seus desejos, suas paixões e seus sentidos perturbam a alma, que busca encontrar a verdade apenas pelo ato de raciocinar, ou seja, pela razão.1
Antes de discorrer sobre Sócrates e Platão, cabe aqui uma explicação: se o objetivo deste blog é o estudo da Doutrina dos Espíritos, por que devemos debruçar-nos sobre outras filosofias? Se, segundo os próprios Espíritos, o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo é Jesus2, por que devemos nos preocupar com outros vultos que se destacaram pela sua inteligência, sabedoria e conhecimento, uma vez que Jesus nos revela as leis espirituais de Deus? O que eles nos ensinariam a mais?
Para compreender esta necessidade, segue abaixo a questão de nº 626 de “O Livro dos Espíritos”:
Só por Jesus foram reveladas as leis divinas e naturais? Antes do seu aparecimento, o conhecimento dessas leis só por intuição os homens o tiveram?
“Já não dissemos que elas estão escritas por toda parte? Desde os séculos mais longínquos, todos os que meditaram sobre a sabedoria hão podido compreendê-las e ensiná-las. Pelos ensinos, mesmo incompletos, que espalharam, prepararam o terreno para receber a semente. Estando as leis divinas escritas no livro da natureza, possível foi ao homem conhecê-las, logo que as quis procurar. Por isso é que os preceitos que consagram foram, desde todos os tempos, proclamados pelos homens de bem; e também por isso é que elementos delas se encontram, se bem que incompletos ou adulterados pela ignorância, na doutrina moral de todos os povos saídos da barbárie.”2
Os Espíritos nos esclarecem que as verdades espirituais estão pulverizadas pelo Universo, que podemos encontrá-las nos ensinos de homens de bem, como Sócrates e Platão, por exemplo. Mesmo que eles tenham cometidos equívocos, confundindo essas verdades com mitos, preconceitos e a própria ignorância humana, esses filósofos demonstraram que elas estão ao alcance de todo aquele que deseja obtê-las, desde que limpem seus corações de todas as mazelas do orgulho, egoísmo e vaidade. Eles também prepararam a mente humana para a revelação moral e espiritual: a filosofia de Jesus.
Feitas essas considerações, podemos prosseguir.  
Sócrates nasceu na cidade grega de Atenas por volta do ano 469 a.C.. Foi condenado e morto em 399 a.C. por combater, através de suas ideias, as crenças equivocadas do povo de sua época, sendo acusado de “corromper a juventude” e “não reconhecer a existência dos deuses”3. Pagou as suas convicções com a própria vida. Platão, que foi discípulo de Sócrates, nasceu também em Atenas em 427 a.C. e faleceu por volta de 347 a.C.. É importante destacar, do ponto de vista histórico, que Sócrates não escreveu uma linha se quer. Tudo o que sabemos dele é através dos escritos de seus discípulos.
A importância de Sócrates para filosofia está na mudança drástica de seu objeto de estudo. Antes dele, os filósofos tinham como preocupação dominante o estudo da natureza. Por isso, são chamados de filósofos naturais ou pré-socráticos. Citamos, como exemplo, Demócrito que estabeleceu o conceito de átomo para matéria. A partir de Sócrates, o homem é o centro dos debates filosóficos em Atenas.   
Platão era um homem culto de sua época, pois teve a oportunidade de receber uma educação de alta qualidade, além de ser discípulo de outros filósofos, além de Sócrates. Estas condições permitiram a Platão fundar a Academia de Atenas. Portanto, mesmo ouvindo Sócrates em seus diversos diálogos, devemos ter em mente que a construção de seu pensamento passa pelas mãos de Platão.4
No entanto, ao entrarmos em contato com os diálogos de Sócrates, veremos que este fato não tem a menor importância, pois estes ensinos são de uma coerência, lógica e beleza que atravessaram séculos, que tem no Cristianismo a sua confirmação e no Espiritismo o seu resgate e a sua demonstração patente.5
De maneira breve podemos destacar os principais princípios da filosofia de Sócrates e Platão: a maiêutica, ou seja, Sócrates admitia sua própria ignorância para a partir dela buscar o conhecimento; a existência da verdade proveniente dos deuses deve ser o objeto de desejo de todo filósofo, pois o conhecimento do que é certo o leva a agir corretamente; a existência da alma antes da concepção, pois como ele mesmo disse: “Instruir-se é recordar”; a imortalidade da alma e a necessidade do cuidar da alma; Sócrates também acreditava nas vidas sucessivas da alma e a necessidade da sua purificação. Em fim, a alegoria da caverna, representando a dualidade do mundo das ideias com o mundo dos sentidos.
Quantas semelhanças existentes com a filosofia espírita? Esta filosofia desenvolvida há 24 séculos evidencia os esclarecimentos dos Espíritos: as verdades espirituais estão pulverizadas no Universo e à medida que o homem progride é capaz de adquiri-las, quer por meio da revelação ou através de seus estudos.
Por João Viegas

Referências bibliográficas:
1. Platão. Fédon. Tradução de Miguel Ruas. 3ª reimpressão. São Paulo - SP, A morte é a libertação do pensamento – Primeira parte.
2. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Conhecimento da lei natural, cap. I Da lei divina ou natural, Parte Terceira – Das leis morais
3. O Mundo de Sofia – Romance da história da filosofia. Tradução de João Azenha Jr.. 24a reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, Uma voz divina, Cap. Sócrates.
4. Concepção e imortalidade da alma em Platão, Evandro PEGORARO Juliano de SOUZA, Jun-Dez 2010, Revista Mirabilia 11.
Site internet:
5. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 99ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, IV – Sócrates e Platão, precursores da idéia cristã e do Espiritismo, Introdução.

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