quarta-feira, 11 de maio de 2016

O Espiritismo é Ciência? Parte III

Escopo: fenômenos espíritas
Sessão Mediúnica em "O Filme dos Espíritos" (2011)
Dando continuidade a correlação entre a epistemologia e o Espiritismo, tem-se nos fenômenos espíritas o escopo da ciência espírita. Assim, todos os fenômenos relacionados com as comunicações entre o mundo espiritual e material, ou seja, entre nós e os Espíritos devem ser estudados. Logo, a mediunidade deve ser pesquisada continuamente pela Doutrina. Com isso, os fenômenos de efeitos físicos, como das mesas girantes, ruídos e movimento de objetos devem ser investigados, assim como os fenômenos espíritas inteligentes pela fala (psicofonia), escrita (psicografia) e audição são outros exemplos que estão dentro do escopo da ciência espírita.
O escopo permite ao espírita ter discernimento na análise dos fenômenos. É muito comum sermos questionados sobre os sonhos, por exemplo. E muita das vezes o inquiridor deseja uma interpretação espiritual para eles, algo que faça sentido em sua vida. No entanto, apesar dos sonhos poderem realmente revelar alguma experiência da alma no plano espiritual e até um pressentimento do futuro, esse é um campo aberto a muitas conjecturas, além de saber que a psicologia possui um acervo teórico consistente sobre este tema, algo que não deve ser ignorado.
Para valer a pena investigar determinados fenômenos, é preciso ter alguns cuidados importantes: o primeiro deles é descartar qualquer possibilidade de fraude, charlatanismo e embuste. Feito isso, deve ser avaliado se não existe alguma explicação, na própria ciência, para tal fato. Por fim, os fenômenos espíritas devem ser patenteados pelo seu caráter inteligente e pela possibilidade de comunicação conosco. Portanto, não se deve investigar, dentro do escopo da ciência espírita, a primeira pancada que se ouve em nossa residência sem motivo aparente.
Vamos dar um exemplo relativamente recente de um fenômeno que tem todas as características de ter causas espirituais:
Numa cidade do interior do Rio Grande do Sul,
uma família foi atormentada com fenômenos muito estranhos
Conforme reportagem da rede globo1, através do portal G1 na internet, ocorreu um caso muito singular num município do interior do Estado do Rio Grande do Sul. Uma família foi atormentada com pedras caindo sobre o telhado de sua casa. Os eventos foram tão apavorantes, que o pai da família resolveu demoli-la.
Vários policiais que foram chamados para atender as ocorrências e vizinhos testemunharam tais fatos. Inclusive, muitas dessas pedras foram encontradas no telhado da casa. É interessante notar que o relato destas testemunhas são intrigantes, pois elas observaram que as pedras caiam do telhado de uma maneira inabitual, ou seja, não era possível explicar a sua queda através da lei da gravidade.
O pai também relatou que os movimentos de pedras ocorriam dentro da própria casa, ao ponto de quebrar um quadro de vidro pendurado na parede.  
Apesar destes fenômenos não terem nenhum efeito inteligente (talvez por falta de um investigador mais sapiente), eles possuem indícios fortes de intervenção espiritual, uma vez que não é possível explicá-los pelas leis conhecidas da ciência. Inclusive, estes tipos de fenômenos foram os primeiros a serem observados por Kardec, sendo catalogado por ele como de efeitos físicos. Atualmente, eles são comumente designados por Poltergeist, em alusão ao filme lançado em 1982 que abordava o tema4. Pela idoneidade da empresa responsável pela reportagem, pelos testemunhos e pelas próprias circunstâncias do caso, descarta-se a possibilidade de fraude, embuste ou charlatanismo.
No entanto, um cético investigando o caso vai concluir prematuramente que se trata de uma brincadeira de mau gosto de vizinhos, que jogaram as pedras no telhado sem serem vistos. Mas existem outros mais sofisticados, que usam a capa da ciência para reafirmar suas posições materialistas. Veja abaixo a declaração de uma psicóloga, membro da equipe de Assistência Social do município onde ocorreu o caso:
“Nós preferimos tratar como uma questão técnica e científica. Não vamos falar a respeito de fatos. De pedras voando, mas o que pode estar acontecendo no âmbito psíquico para que essas pessoas possam acreditar estarem vendo isso. E é a partir dessa teoria, dessa parte científica, que nós estamos voltando o tratamento pra essa família.”1
Eu gostaria de saber se a psicóloga que fez essa declaração aceitaria se hospedar por um dia na casa desta família para se certificar que todos os seus integrantes e as testemunhas, inclusive vizinhos e vários policiais, estão com algum transtorno psicótico. Se também fosse testemunha de tais fatos, talvez ela mesma concluísse que possui alguma patologia. Defensora veemente da ciência, só lhe resta procurar um médico para se tratar.
Transtornos psicóticos é uma patologia legitimamente catalogada pela ciência e não estou aqui para derrubá-la. No entanto, neste caso, trata-se de uma tentativa frustrada de adequar o fenômeno a teoria materialista, ou seja, modela-se o fenômeno para que se atenda a teoria que se deseja defender. Pesquisadores que procedem desta maneira estão apenas preocupados com seus sistemas mirabolantes, e são incapazes de admitir seus erros, pois fere seu orgulho. Se apenas um único membro da família estivesse ouvindo tais pancadas e não houvesse nenhuma evidência material do fenômeno, concordo que essa possibilidade não poderia ser descartada. O que se vê é justamente o contrário, assim, esse tipo de fenômeno está fora do escopo da psicologia e psiquiatria. Cabe, portanto, apenas ao Espiritismo estudá-lo.
Se a referida psicóloga está preocupada em dar uma explicação técnica e científica para o caso, algo que só a ciência da matéria possui tais prerrogativas, o que aparenta ser sua opinião, gostaria de dizer a ela que existe uma teoria que atende satisfatoriamente a esse tipo de fenômeno. Ela segue resumida abaixo:
Mulheres e homens são constituídos de Espírito, perispírito e corpo  
A consciência humana não reside no cérebro, ela é preexistente ao nascimento do corpo e sobrevivente a sua morte. Somos seres milenares e imortais criados simples e ignorantes por um Ser supremo, arquiteto de tudo que existe, seja material ou não material, e pelas leis que regem o Universo, temos como meta a perfeição. Para alcançar tal patamar, faz-se necessário o nosso contato com a matéria, pois nos permite experiências que nos forçam ao progresso. Os seres inteligentes da criação, que são os Espíritos, possuem uma natureza totalmente diferente da matéria que conhecemos, mas são revestidos por um corpo semimaterial que lhes permite manipular a matéria propriamente dita. Essa manipulação pode ocorrer pelo mergulho do Espírito à matéria animando um corpo humano desde o seu nascimento até a morte, ou pode, sob determinadas circunstâncias, pôr-se em comunicação com os Espíritos que estão temporariamente presos a um corpo material. Assim, homens e mulheres são, portanto, formado de três coisas distintas2: Espírito, ser inteligente, dotado de senso moral que dá vida a matéria; corpo, instrumento pelo qual o Espírito atua na matéria e; perispírito, laço que prende o Espírito à matéria. A morte destrói apenas o corpo, o Espírito prevalece com seu perispírito. A comunicação entre os Espíritos e nós pode ocorrer de diversas formas, pela manipulação de objetos, como no caso acima referido, ou pela atuação no próprio corpo daquele quem possibilita tal comunicação, que é chamado de médium. A interação entre os períspiritos do médium e do Espírito que deseja se comunicar é que permite que o fenômeno ocorra. Tem-se, portanto, no conhecimento do corpo semimaterial, a chave3 de todos esses fenômenos.
Achamos oportuno antecipar a teoria espírita para dar uma resposta a visão materialista sobre fenômenos espíritas. No entanto, não é intenção neste artigo se prolongar sobre ela, mas que o querido leitor entenda que a ciência espírita possui uma densa teoria lógica e racional, e não fica a desejar em relação a outras pertencentes às ciências materiais.
Por fim, para finalizar o escopo da ciência espírita, Kardec sabia também que para observar esses fenômenos de maneira séria e consistente, deveria se afastar das exibições extravagantes que se faziam para o público de sua época nos salões de Paris. Era necessário o recolhimento, perseverança, abnegação e comunhão de ideais das pessoas envolvidas.
Por João Viegas
Referências
2)   KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Introdução. Item VI.
3)   KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 64ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, ítem 54, Da Ação dos Espíritos sobre a Matéria, Capítulo I – Dissertações Espíritas, Segunda Parte – Das manifestações espíritas.

4)   http://www.imdb.com/title/tt0084516/

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