terça-feira, 19 de abril de 2016

O Espiritismo é Ciência? Parte II

Objeto de estudo: Espírito
A chama é uma analogia para entendermos qual é a forma do Espírito
De acordo com a definição de Espiritismo, enunciada por Kardec em sua obra “O Que é o Espiritismo?”, e declarada em artigo anterior, é fácil concluir que o(s) Espírito(s) são(é) o(s) objeto(s) de estudo da ciência espírita. Por sua vez os Espíritos “...são seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material.1, conforme questão nº 76 de “O Livro dos Espíritos”. A natureza dos Espíritos difere de tudo aquilo que se conhece por matéria, sendo normalmente imperceptíveis aos nossos sentidos e insensíveis aos nossos instrumentos de observação. Mas sob condições especiais, conseguem atuar sobre a matéria e influenciar mulheres e homens. Os fenômenos provocados pelos Espíritos demonstram de maneira patente a intervenção de uma inteligência que é independente, livre e possui vontade própria. Assim, através dos fenômenos espíritas é perfeitamente possível estabelecer comunicação com eles. Em virtude da sua natureza, os Espíritos habitam o mundo espiritual, que apesar de independente, exerce incessante influência sobre o mundo material.
A velocidade e trajetória das estrelas são
 usadas para atestar a existência da matéria escura 
Admitir que o objeto de estudo de uma ciência possui uma natureza não material é um prato cheio para os céticos de plantão. Pois se os Espíritos não são materiais, como podemos provar a sua existência? Qual será o instrumento que devemos inventar para detectá-los? Como alguém pode afirmar que já os viu, se eles não são materiais? Será que isso não pode ser fruto de uma imaginação fértil ou alucinação? Esses são alguns exemplos de ataques que o Espiritismo pode sofrer. Mas os mesmos céticos que levantam esses questionamentos esquecem ou ignoram que muito dos resultados que a própria ciência chegou foram realizados de maneira indireta: como foi que Thomson2 descobriu que a eletricidade é ponderável, ou seja, que possui massa? Foi colocando um punhado de elétrons numa balança de precisão para medi-los? O que Rutherford2 fez para descobrir que o átomo é formado de um núcleo envolvido por uma nuvem de elétrons? Foi pondo um átomo num microscópio para observá-lo? O que dizer da descoberta da matéria escura3? Será que os cientistas resolveram iluminar uma parte do Universo para conseguir enxergá-la? Não, evidentemente as coisas não se procederam assim. Muitos dos resultados da ciência foram obtidos pelos efeitos produzidos pelos objetos que se desejava estudar. Assim, a existência da massa escura pôde ser atestada pelas forças gravitacionais que ela produz, uma vez que a matéria observável não é capaz de explicar as forças existentes no Universo. Através das forças elétricas de atração e repulsão entre prótons e elétrons foi possível admitir as existências dessas partículas e construir o modelo atômico que conhecemos hoje. O mesmo sucedeu com relação a existência dos Espíritos. Foram os efeitos que eles produziram na matéria que possibilitaram remontar suas causas.
O celular utiliza-se das ondas eletromagnéticas
O argumento exposto acima não resolve o problema da não materialidade do Espírito. Mas podemos prosseguir com novas comparações: O que há de materialidade no conceito de energia? O que há de materialidade no conceito de ondas eletromagnéticas?8 Você só consegue usar seu celular, smartphone, iphone, ipad etc... para fazer uma ligação, mandar uma mensagem ou acessar a internet, porque existe uma densa teoria produzida pela ciência, principalmente ao longo dos sécs. XIX e XX, que permitiu que tecnologias fossem desenvolvidas para que grandezas físicas não materiais como as ondas eletromagnéticas pudessem atuar sobre a matéria. E isso não é exatamente o que acontece durante as manifestações espíritas? Como se pode ver, o argumento cético da não materialidade do Espírito não se sustenta. A não ser que os próprios céticos comecem a renegar a ciência da matéria. 
Em virtude da natureza do Espírito e pela impossibilidade do homem poder reproduzir e controlar os fenômenos a sua vontade, Kardec conseguiu enxergar que estava diante de uma ruptura dos conceitos usuais estabelecidos pela ciência de sua época. Segue abaixo um dos seus argumentos mais brilhantes acerca deste tema:
“As ciências ordinárias assentam nas propriedades da matéria, que se pode experimentar e manipular livremente; os fenômenos espíritas repousam na ação de inteligências dotadas de vontade própria e que nos provam a cada instante não se acharem subordinadas aos nossos caprichos. As observações não podem, portanto, ser feitas da mesma forma; requerem condições especiais e outro ponto de partida. Querer submetê-las aos processos comuns de investigação é estabelecer analogias que não existem. A Ciência, propriamente dita, é, pois, como ciência, incompetente para se pronunciar na questão do Espiritismo: não tem que se ocupar com isso e qualquer que seja o seu julgamento, favorável ou não, nenhum peso poderá ter.”4
Uma química manipulando produtos em laboratório
Vamos dar alguns exemplos para compreender o posicionamento de Kardec: quando um químico quer produzir hidrogênio, ele sabe que precisa realizar uma eletrólise5. A eletrólise consiste basicamente num equipamento composto de dois eletrodos metálicos imersos numa solução aquosa de algum ácido, pelos quais passa uma corrente elétrica. A corrente é capaz de quebrar as moléculas da água de tal forma que o hidrogênio seja liberado em forma gasosa em um dos eletrodos. A eletrólise é um recurso utilizado no lançamento de sondas meteorológicas, pois o balão que leva a sonda é preenchido com hidrogênio, que é mais leve que o ar9. Quando um físico deseja aquecer a água, ele monta um circuito elétrico6 adequado com resistências potentes, imersas na água e ligadas a uma fonte de energia. Assim, é possível elevar a temperatura da água e até controlá-la. Exemplo deste recurso é o chuveiro elétrico. Por fim, quando o biólogo deseja observar as fases da divisão celular7, faz-se necessário o uso de um microscópio e a preparação de uma lâmina com material orgânico.
Todos os processos descritos acima podem ser reproduzidos e controlados pelo homem a qualquer tempo, desde que tenha as condições necessárias para isso, além desses experimentos, como tantos outros, terem como foco o estudo das propriedades da matéria. O que Kardec quis dizer foi que essas premissas estabelecidas pela ciência de sua época não serviam para investigar os fenômenos espíritas, e, portanto, ela era incapaz de compreendê-los. Era necessário, conforme suas próprias palavras, um novo ponto de partida. 
Por João Viegas
 Referências
1) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira; Origem e natureza dos Espíritos; Cap I - Dos Espíritos Introdução, Parte Segunda – Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos.
2) MAHAN, Bruce H.. Química um Curso Universitário. Coordenação da Tradução de Ernesto Giesbrecht. 2ª ed. revisada: São Paulo. Editora Edgard Blücher LTDA; Estrutura Eletrônica dos átomos. Cap 10.
4) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Introdução. Item VII.
5) MAHAN, Bruce H.. Química um Curso Universitário. Coordenação da Tradução de Ernesto Giesbrecht. 2ª ed. revisada: São Paulo. Editora Edgard Blücher LTDA; Reações de Óxido-Redução. Cap 7.
6) RAMALHO JÚNIOR, Francisco. Os Fundamentos de Física 3. 6ª ed. São Paulo: Editora Modena LTDA, Associação de Resistores, cap 7.
7) LOPES, Sônia. Bio: volume único. 1ª ed. São Paulo, 2004. Editora Saraiva. Cap. 8, As divisões celulares.
8) RAMALHO JÚNIOR, Francisco. Os Fundamentos de Física 3. 6ª ed. São Paulo: Editora Modena LTDA, Radiação Eletromagnética, cap 17

4 comentários:

  1. Quantas maravilhas a ciência ainda não está a descobrir. Não podemos jamais desprezar pensamentos por mais diferentes que sejam, a perspectiva cientifica-filosófica da doutrina espírita nos possibilita reconhecer que a parte do todo que não conhecemos é tão grande que pode-se criar o universo com ela. Sem o aspecto científico da doutrina estaríamos escravos da limitação de nossas cavernas conscienciais. Através da ciência o homem tem a possibilidade de não só fazer parte mais descobrir/incentivar a evolução individual e planetária.

    ResponderExcluir
  2. Saudações meu nobre amigo Rafael! Agradeço pelo seu comentário e contribuição aqui no blog. É isso aí, a postura de eternos aprendizes da vida nos instiga ao estudo e pesquisa dos diversos ramos da ciência e filosofia. Com a Doutrina não poderia ser diferente, pois, segundo Kardec, ela é a ciência do infinito, e à medida que a estudamos, percebemos o quanto somos ignorantes.

    ResponderExcluir
  3. Diante de tantos fenômenos que se tem conhecimento dentro da ciência, é impossível negar a existência dos espíritos e suas influências na humanidade. A ciência espírita nos mostra que aqueles fenômenos, ditos como "sobrenaturais", é bem mais natural do que parece. O intervenção dos espíritos sobre o plano material é algo concreto e, nos convida para um estudo mais aprofundado da doutrina enquanto ciência. Aguardo os próximos artigos meu amigo Viegas! Parabéns e um grande abraço!

    ResponderExcluir
  4. Saudações meu nobre amigo Ítalo!
    Sou sempre muito grato pela sua participação e colaboração aqui no blog. Você está coberto de razão, meu amigo, a abundância de fenômenos desta natureza, desde os primórdios da humanidade, acrescentado a uma análise criteriosa deles, com olhar científico, nos permite abrir o debate sobre a imortalidade da alma diante dos céticos e materialistas. Portanto, como disse, faz-se necessário um estudo aprofundado para criarmos subsídios suficientes perante a incredulidade dos homens. Esse é um dos objetivos deste blog. Um grande abraço!

    ResponderExcluir