terça-feira, 29 de março de 2016

O Espiritismo é Ciência? Parte I

Introdução:
Clique aqui para baixar o pdf do livro.
A proposta deste artigo é responder a questão enunciada em seu título. Pela amplitude deste tema, ele foi dividido em várias partes para que o querido leitor tivesse tempo para amadurecer suas ideias a esse respeito. Assim, ele é um convite para viajar pelo pensamento de Allan Kardec, a quem prefiro chamar de Fundador do Espiritismo, conforme tese defendida anteriormente. Há diversas referências a Kardec, uma vez que ele é o responsável de fazer do Espiritismo uma ciência. Será utilizado também como subsídio desta tese o artigo “Epistemologia da Ciência: um Breve Esclarecimento. O notável nesse estudo é perceber que mesmo a Epistemologia tenha sido forjada apenas no século XX, muitos anos após a revelação espírita, Kardec conseguiu caracterizar o Espiritismo como ciência utilizando argumentos indisponíveis à sua época. Isso demonstra a sua perspicácia, visão de futuro e genialidade. Outro objetivo, não menos relevante, é realizar um resgate do Espiritismo que fora revelado no séc. XIX, na França, para que ele não possa se desviar de seus objetivos e nem de seu verdadeiro caráter. Só conhecendo e estudando a origem da Doutrina dos Espíritos é possível fazê-la progredir sem se desvirtuar de suas metas e nem de sua natureza. Esse é o verdadeiro propósito do blog “Espiritismo na Essência”.
Ciência espírita: definição
Logo no preâmbulo do livro “O Que é o Espiritismo?”, 1ª obra que deve ser lida por um iniciante na Doutrina, segundo o próprio Kardec, é respondida de maneira clara e sucinta a pergunta título de seu livro: afinal de contas: o que é o Espiritismo?
 “O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos: como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam destas mesmas relações.”1     
O que chama atenção nesta definição é que Kardec põe no mesmo grau de importância tanto à ciência quanto a filosofia. Quando ele afirma que “o Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência e uma filosofia”, implica dizer que nós, enquanto espíritas e/ou simpatizantes, devemos estudá-lo sob esses dois aspectos sem dar preferência a qualquer um deles e existem boas razões para se proceder assim. No entanto, não é preocupação deste artigo discorrer sobre a Filosofia espírita, pois está fora do escopo deste estudo. Mas que o leitor esteja esclarecido que não há valorização da ciência em detrimento da filosofia. Ao contrário, este blog possui diversos artigos que destacam o caráter filosófico da Doutrina. Chegou a vez de discorrer sobre seu caráter científico.
Evidentemente, uma simples afirmação não prova que o Espiritismo é uma ciência. Devemos, portanto, investigar e compreender como se desenrolou a revelação espírita para chegar a esta conclusão e compará-la com o conceito atual que se tem de ciência. Assim, surgem naturalmente outros questionamentos. São eles:
- Por que o Espiritismo é uma ciência?
Se preferir, podemos fazer uma questão mais ousada:
Será que o Espiritismo é, de fato, uma ciência?
E se não fosse uma ciência, quais seriam os prejuízos para o Espiritismo? 
Para responder a primeira pergunta, deve-se declarar outra definição mais técnica elaborada por Kardec acerca do Espiritismo que também se encontra no preâmbulo do livro “O Que é o Espiritismo?”:
“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.”1
Do ponto de vista das concepções epistemológicas contemporâneas, têm-se nesta breve definição os elementos necessários que fazem do Espiritismo uma ciência. Vejamos quais são eles:
Conforme já foi discorrido em artigo anterior, existem quatro princípios da epistemologia que caracterizam o conhecimento humano como ciência. São eles: objeto de estudo, escopo, teoria ou paradigma e metodologia. Para a ciência espírita podemos definir esses princípios desta maneira: objeto de estudo; Espírito, escopo; fenômeno espírita, teoria ou paradigma; O Livro dos Médiuns e, metodologia; controle Universal do Ensino dos Espíritos. Portanto, os próximos artigos irão desenvolver esses princípios da ciência espírita. Aguardem!
Por João Viegas
Referências:     
1)   KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 41ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1999, Preâmbulo. 

4 comentários:

  1. É isso aí Viegas, vou ficar aguardando vc entrar naquelas discussões mais complexas que conversamos, para debatermos um pouco mais. Um abraço camarada.

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    1. Obrigado meu amigo! Esse artigo é apenas uma introdução para suscitar a curiosidade do querido leitor. No momento oportuno, chegaremos aos pontos mais espinhosos dessa discussão. Um grande abraço!

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  2. Bruno Araújo Monteiro5 de abril de 2016 13:32

    Muito bom João! Como fã da ciência e da doutrina espírita estou aguardando os próximos artigos para debate. Muito bom esse espaço extra ESDE para debate de questões mais alheias à apostila porém não menos importantes. Grande Abraço!

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    1. Agradeço pelas suas palavras meu querido amigo Bruno! Esteja bem à vontade para navegar pelo blog e postar comentários, esclarecimentos, observações, dúvidas e questionamentos que julgar pertinentes aos temas de seu interesse. Não tenha medo de escrever. O debate sobre a ciência espírita só está começando...
      Um grande abraço!

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