quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A MISSÃO DE CADA UM

Todos nós temos missões a cumprir. Qual é a sua?
Em 3 de outubro comemora-se o aniversário de Hippolyte Léon Denizard Rivail, conhecido por nós espíritas por Allan Kardec. Nasceu na cidade de Lyon, na França em 1804, e testemunharia na Terra todas as transformações de ordem científica, filosófica, política, econômica e social do século XIX. Temos as descobertas da eletricidade e do magnetismo, as revoluções industriais, a propagação do positivismo e do materialismo, os regimes monárquicos da Europa caem para dar lugar às Repúblicas, Karl Marx divulga suas ideias socialistas em contra posição às capitalistas.
Foram necessários 50 anos de vida para Kardec se deparar, pela 1º vez, com os fenômenos das mesas girantes. Era necessário que ele estivesse pronto para revelar aos homens uma das maiores descobertas daquele século: o Espiritismo.
Assim que Kardec percebeu o que havia por trás daqueles fenômenos, que para grande maioria da sociedade só era motivo de entretenimento, tratou de investigá-lo com seriedade, perseverança, recolhimento e sem ideias preconcebidas, pautado na Ciência da observação. Não tardou para que os Espíritos responsáveis pela propagação do Espiritismo o procurassem e revelassem sua missão. Eis o que diz o Espírito de Verdade a Kardec numa comunicação recebida em 1856, antes da publicação de “O Livro dos Espíritos”.       
“... Suscitarás contra ti ódios terríveis; inimigos encarniçados se conjurarão para tua perda; ver-te-ás a braços com a malevolência, com a calúnia, com a traição mesma dos que te parecerão os mais dedicados; as tuas melhores instruções serão desprezadas e falseadas; por mais de uma vez sucumbirás sob o peso da fadiga; numa palavra: terás de sustentar uma luta quase contínua, com sacrifício de teu repouso, da tua tranquilidade, da tua saúde e até da tua vida, pois, sem isso, viverias muito mais tempo...”.1
A profecia de “O Espírito de Verdade” confirmou-se. Ao aceitar de bom grado a sua missão, Kardec experimentou todos os dissabores que podem ser proporcionados pelo orgulho e egoísmo humano.
Coloquemo-nos, por um instante, na posição de Kardec ao receber esta comunicação de tal gravidade. Qual seria a nossa reação? Deus deu ao homem o livre-arbítrio para que ele possa ser senhor do seu próprio destino. Nós podemos optar por uma vida tranquila, estagnados na nossa zona de conforto, sem tribulações, sem aborrecimentos, uma vida de “paz”!
Entretanto, nós, espíritas, que temos a consciência da vida futura, que sabemos que a nossa situação no plano espiritual dependerá exclusivamente do mal que evitarmos e do bem que fizermos ao nosso próximo, o que faríamos?
Todos nós temos as nossas missões, consonantes com as nossas forças e grau evolutivo, e haverá mil infortúnios para não cumpri-las. No entanto, não há vitória sem mérito. É preciso que cada um descubra a sua, aceite-a humildemente e trabalhe para torná-la real, assim como fez Kardec.  

Por João Viegas
Referências bibliográficas:
1. KARDEC, Allan. Obras póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 1ª ed. especial Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2005, Minha primeira iniciação no Espiritismo – 12 de junho de 1856 Minha Missão. 

8 comentários:

  1. João, mt bom o artigo e homenagem a Kardec! Esse tema é de fato complicado: missão, livre arbítrio e evolução. Parece ser necessário amadurecer para conseguir realizar a missão, visto sempre haver obstáculos e desafios a serem enfrentados e sem dúvida o pior deles deve ser uma certa solidão em que se encontra em algum momento. Infelizmente, para não ter que enfrentar essa solidão e tribulações, preferimos, como vc disse, ficar na "zona de conforto". Acredito que a saída dessa zona de conforto é provocada pela fé em Deus e no que se sabe ser o certo, Assim, espero que possamos fortalecer nossa fé com nossos estudos e vivências pessoais para podermos cumprir nossa missão. Grata pelo artigo, João. Abraços.

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    1. Obrigado Vinícia mais uma vez pela sua participação e contribuição aqui no blog!
      A palavra missão pode ter um peso mais forte para as pessoas, no sentido de que elas compreendam que a execução de uma missão, implica na realização de um grande feito que atinja toda sociedade. No entanto, temos missões em nossos lares, em nosso trabalho, com os nossos amigos mais próximos, com os nossos desafetos, com os nossos vizinhos, em fim, com todos aqueles que convivem conosco.
      A todo momento nos deparamos com oportunidades de fazer o bem às pessoas: uma palavra amiga, um abraço fraterno, um ouvido, um silêncio, uma visita a alguém doente, uma orientação sem julgamentos, ou até mesmo um agasalho ou um prato de comida etc... Devemos nos questionar se percebemos essas oportunidades, e se percebemos, se realmente aproveitamos ou ignoramos dando uma desculpa qualquer.
      Você está totalmente com a razão quando afirma que a realização de uma missão requer o amadurecimento pessoal, ou seja, requer a conquista da liberdade de consciência (balizar nossas ações com a observância das leis naturais). Concluo, naturalmente, que este artigo foi redigido para as pessoas que já atingiram certo grau de consciência das leis naturais, uma vez que sabemos haver encarnações exclusivamente provacionais e expiatórias.
      Quando optamos em sair da zona de conforto, quebrando antigos hábitos e costumes para buscar uma nova maneira de encarar a vida, podemos nos deparar com essa solidão de que fala. Os nossos "amigos" que comungavam do nosso proceder de antes, não são tão amigos hoje. Ou se são, vestem a capa da hipocrisia. Ao estudar os manuscritos de Kardec, é possível perceber que ele sofreu com essa solidão. Mas ele estava tão imbuído de um propósito de reconstrução moral de nossa sociedade que permite nos afirmar que estava muito bem acompanhado espiritualmente. Que ele seja uma fonte de inspiração em nossas vidas.
      Um grande abraço!

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  2. Gostei desse tema!!! Existe um livro muito bom chamado Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes. Nele, Stephen Covey diz que o segundo hábito é ter um objetivo em mente. O interessante é que ele fala da necessidade de definirmos uma missão pessoal baseada numa reflexão sobre como queremos ser lembrados depois da nossa morte. Eu já elaborei a minha missão pessoal e foi muito reveladora, pois deu sentido a muita coisa que já fiz, que eu faço e que ainda quero fazer na minha vida. Afinal de contas, a maioria das pessoas não teve a sorte ou o privilégio de ter um espírito elevado para definir a sua missão pessoal. Um forte abraço,,,

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    1. Agradeço pela sua recomendação literária, Italo. Realmente, este tema não é de exclusividade do Espiritismo, e toda reflexão filosófica positiva, mesmo que tenha um contexto não espiritual, deve ser levada em consideração para melhor compreensão do mesmo.
      Os espíritas devem ter claro em suas mentes que o Espiritismo não contempla todas as áreas do conhecimento e nem tem a pretensão deter a plenitude do conhecimento. "Os Espíritos não disseram tudo" afirma Kardec. No entanto, a revelação espírita está de acordo com o grau de conhecimento humano, e este é um dos motivos dela ser progressista, uma vez que a humanidade evolui com o tempo. Devemos, portanto, saber agregar valores aos estudos espíritas, buscando aquilo que há de positivo nas obras científica/filosófica humanas.
      Não estou convencido de que as palavras adequadas para revelação da missão a Kardec sejam "sorte" e/ou "privilégio". Pois, saber que uma tomada de decisão vai lhe conduzir a muito sofrimento, ao ponto de lhe fazer perder a saúde e até diminuir o seu tempo de vida, pode ter um efeito reverso no uso do livre-arbítrio em muitos de nós. Isso mostra, ao contrário, a envergadura moral e ética de Kardec, que renuncia a si mesmo em prol uma causa que transcende a sua pessoa.
      Talvez seja por isso que não seja revelado abertamente para grande maioria das pessoas qual o nosso proprósito de vida. Mas, todos nós temos amigos espirituais que nos ajudam a descobrir o que devemos fazer, através das suas boas inspirações/intuições. Só temos que ter "olhos de ver e ouvidos de ouvir", ou seja, estarmos receptivos a essas boas influências.
      Um grande abraço!

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  3. Grande Viegas, parabéns! Suas palavras nos convida para uma ótima reflexão. Acredito que podemos ter uma vida tranquila e de paz, enquanto exercemos nossa missão aqui no orbe terrestre. E isso vem com o estudo e conhecimento da doutrina aliados a sua prática. Creio também que a partir do momento que estamos em comunhão com o ensinamento - dentre outros - do nosso irmão Jesus, quando disse: ama o próximo como a ti mesmo, nos tornamos espíritos mais evoluídos e capazes de entender o verdadeiro propósito de estarmos aqui. Me identifico com seu artigo, pois, por experiência própria, quero dizer que o espiritismo veio revelar em minha vida, o que realmente é ser uma pessoa feliz. E diante de tantas experiências vividas, hoje, felicidade para mim, é saber que posso ajudar as pessoas, encarnadas e desencarnadas, e isso de uma certa forma, me fez enxergar a vida por um outro prisma... o da paz interior! Por isso, agradeço a Deus todos os dias, por essa missão que me foi confiada, pela oportunidade de aprender cada dia mais e peço a Ele que me ajude a continuar nessa missão. Paz para todos nós meu amigo! Grande abraço!

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    1. Muito obrigado meu querido amigo Ítalo!
      É com muita alegria que leio as suas belas palavras de alguém que já alcançou um grau de consciência das leis naturais e que está com o coração aberto diante do Criador do Universo para cumprir com os Seus desígnios, renunciando os seus próprios interesses em prol do próximo, seja ela encarnado ou desencarnado. É isso aí meu amigo, devemos ser felizes simplesmente pelo bem que fizermos ao outro, sem esperar nada em troca. Essa deve ser a paz interior que devemos buscar.
      Um grande abraço!

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  4. O texto de Kardec nos fala de uma missão grandiosa, gostaria de compreender sobre "pequenas missões", compromissos anônimos e singelos, e como essa busca da missão é complexa. A última frase do seu texto merece uma continuação: "Todos nós temos as nossas missões, consonantes com as nossas forças e grau evolutivo, e haverá mil infortúnios para não cumpri-las. No entanto, não há vitória sem mérito. É preciso que cada um descubra a sua, aceite-a humildemente e trabalhe para torná-la real, assim como fez Kardec." Como descobrir a sua? Como sustenta-la após torna-la próxima da realidade? Essas questões carecem de reflexão... Obrigado!

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    1. Saudações Flavio Silveira!
      Sou muito grato pela sua nobre contribuição no blog! Obrigado de verdade! Flávio, realmente cabe um novo artigo para tratar desse tema que você levantou. No entanto, vou tentar respondê-lo brevemente. Podemos acrescentar dizendo que o cumprimento de nossas "missões", sejam elas qual tamanho for, está intimamente ligada ao uso que fizermos de nosso livre-arbítrio e de nosso grau de consciência acerca das leis naturais, pois somos nós que escrevemos a nossa própria estória, e ela é resultado direto das nossas decisões. No entanto, precisamos ter a perspicácia de perceber as oportunidades que nos aparecem todos os dias em nossas vidas de se libertar de nosso orgulho, egoismo, vaidade, apego à matéria e poder servir a quem realmente precisa.
      As oportunidades de fazer o bem e evitar o mal sempre virão, meu amigo, pois a bondade de querer ajudar seus filhos, seres ainda em evolução, é da Natureza daquele que nos Criou.

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