segunda-feira, 29 de junho de 2015

Terceira Lei de Newton Espiritual

Criança brinca lançando bola contra parede
De forma tradicional podemos definir a terceira lei de Newton, que é ensinada no 1º ano do ensino médio nas aulas de Física, da seguinte forma: “A toda ação corresponde uma reação igual e de sentido oposto.”. Assim, dados dois corpos A e B, se o corpo A age, aplicando uma força Fa sobre o corpo B, então o corpo B reagirá, aplicando uma força Fsobre o corpo A. As forças Fa e Fb terão a mesma intensidade, mesma direção, porém sentidos opostos.
Ao jogar uma bola contra uma parede temos que a bola aplica uma força à parede que reage aplicando outra força à bola. Assim, a bola voltará para aquele que a arremessou, com a mesma intensidade de seu lançamento. Este exemplo é exato se desprezarmos a gravidade da Terra e atritos produzidos pelo ar.
Esta lei está presente a todo instante de nosso cotidiano, nos atos mais simples até os mais sofisticados. Ficar de pé, andar, correr, pular são consequências desta lei. O movimento de carros, ônibus, caminhões, aviões e até foguetes espaciais também derivam da mesma causa. As órbitas de astros, planetas e satélites são produzidas pelas forças de atração da matéria que estão de acordo com a 3ª lei de Newton. Até o dramático episódio do lutador de UFC Anderson Silva, que no final de 2013 teve sua perna quebrada após aplicar um golpe em seu oponente tem relação direta com a lei que foi revelada no séc. XVII pelo cientista que dá nome a ela.
Lançamento de foguete obedece a 3º de Newton
As relações entre os seres inteligentes do Universo, que são os Espíritos, criados por Deus, estejam encarnados ou desencarnados, se dão de forma semelhante à 3ª lei de Newton. Kardec em “O Céu e o Inferno” escreve um interessante capítulo que se chama “Código Penal da Vida Futura”. Em seu artigo 8º ele afirma: 
Sendo infinita a justiça de Deus, o bem e o mal são rigorosamente considerados, não havendo uma só ação, um só pensamento mau que não tenha consequências fatais, como não há uma única ação meritória, um só bom movimento da alma que se perca...”.
No artigo 12º ele sanciona:  
“... a única lei geral é que toda falta terá punição, e terá recompensa todo ato meritório, segundo o seu valor.”.
Resumimos abaixo os artigos 16º e 17º: três são as condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências: arrependimento, expiação e reparação. O arrependimento é a consciência da falta cometida e o desejo sincero em não mais errar e reparar seus equívocos. A expiação consiste nos sofrimentos morais e físicos que são consequências dos atos que prejudicou a si próprio ou a outrem, pois todo o mal praticado retornará a quem o gerou. A reparação, finalmente, consiste em fazer o bem àqueles a que se havia feito o mal.
Kardec nos esclarece no artigo 13º que a expiação pode ser suavizada ou até mesmo anulada pela prática do bem.
Para que a justiça de Deus seja satisfeita e exercida em toda sua plenitude, de acordo com os termos colocados acima, temos que necessariamente admitir a anterioridade e imortalidade da alma à vida corporal como também a pluralidade das existências para que todas as faltas possam passar pelas três condições: arrependimento, expiação e reparação.
De maneira diversa da 3ª lei de Newton, fica claro que não cabe ao ofendido, magoado ou prejudicado fazer justiça com as próprias mãos, pois apenas criaria um ciclo vicioso sem fim. Cabe apenas o perdão sincero, se libertando do ódio e da vingança, infelizmente, sentimentos ainda comuns nos espíritos que povoam a Terra. Apenas o Criador tem o direito e o poder de restabelecer a justiça no tempo e lugar devidos.
As leis material e espiritual que foram brevemente elucidadas acima mostram a suprema inteligência e sabedoria do Criador, que mantém o equilíbrio e a harmonia do Universo e entre os seres que vivem nele.
    Finalizamos com uma poesia atribuída a Einstein que retrata de forma singela as leis que foram discutidas neste artigo: 

A vida é como jogar uma bola na parede:
Se for jogada uma bola azul, ela voltará azul;
Se for jogada uma bola verde, ela voltará verde;
Se a bola for jogada fraca, ela voltará fraca;
Se a bola for jogada com força, ela voltará com força.
Por isso, nunca "jogue uma bola na vida" de forma
que você não esteja pronto a recebê-la.
A vida não dá nem empresta;
não se comove nem se apieda.
Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir
aquilo que nós lhe oferecemos.

Por João Viegas

   Referências Bibliográficas:
1. KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Tradução de Manuel Justiniano Quintão. 32ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Código penal da vida futura. Cap. VII As penas futuras segundo o Espiritismo. Primeira Parte – Doutrina.

2. RESNICK, Robert; HALLIDAY, David; KRANE, Kenneth. Física 1. Traduções de Gabriel Franco, Luiz Vaz, Marcio Moreno, Maria Myrrha, Olísia Damasceno, Ramayana Gazzinelli, Suely Grynberg. 4ª ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora S.A. 5.6 A Terceira Lei de Newton, cap. 5 Forças e Leis de Newton.

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8 comentários:

  1. Como sempre, muito boa a sua observação sobre a 3º lei de Newton. Eu também gosto de chamar essa Lei de:" Lei Divina do Equilíbrio Universal, pois ela põe todas as coisas no seu devido lugar.
    Um grande abraço.
    Antº Carlos.

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    1. Saudações meu amigo Antônio Carlos! Obrigado pelas suas palavras. Estava sentindo falta de sua participação aqui no blog. Esteja sempre à vontade para dar sua contribuição. Um grande abraço!

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    2. Olá meu caro Viegas! Excelente a sua abordagem sobre o tema! Realmente o equilíbrio do universo é algo fantástico! Newton nos revelou o quanto Deus é perfeito e como ele age constantemente em nossas vidas através dessa força de ação e reação e que também nos leva a refletir a respeito do livre arbítrio dado a todos nós. Se ao pronunciamos palavras de perdão, amor ao próximo e a prática da caridade, estaremos também as recebendo em igual intensidade, imaginemos nós, quando realmente colocarmos em prática tudo isso que é pronunciado! Muita ação e muita força para você meu amigo! Um grande abraço!

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    3. Saudações meu amigo Ítalo! Sou muito grato pelas suas contribuições e pelas palavras de incentivo!
      Foi muito interessante você relacionar a revelação de Newton com Deus. Infelizmente, as religiões disseminam a ideia de que Ele age no Universo derrogando as próprias leis que criou e que seu poder e até a sua própria existência só podem ser atestados justamente naquilo que a ciência não pode explicar. Visão equivocada, pois rebaixa o Criador as paixões humanas, pois somos nós que temos a prática de criar leis para derrogá-las apenas com fins de atender os nossos interesses e caprichos.
      A cada descoberta das leis que regem os elementos materiais e espirituais, longe limitarem a ação do Criador no Universo, nos faz compreender como Ele faz para proceder nos cumprimentos dos seus próprios desígnios.
      Obrigado por suscitar esta reflexão!
      Um grande abraço!

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  2. Caro João,
    Não sei se você vai se lembrar de mim. Sou o Alessandro, marido da Isabel, que é filha da Tia Celeste. Frequentamos a mesma mocidade no Rio de Janeiro. Lembra?

    Tudo bem com você? Que saudade!

    Achei muito bacana o seu texto sobre a Lei de Newton. Fiquei muito feliz quando no final você mostra a diferença entre a lei de Newton da Física, que é fria e que não leva em consideração atenuantes, e a Lei de Causa e efeito, que é a aplicação do Amor de Deus.

    O espírito André Luiz, como um home da ciência que é/foi, sempre usa a expressão ação e reação, entretanto, ele alinha perfeitamente esse conceito com a Lei de Causa e Efeito da Codificação. Acho sempre importante atentarmos para o fato que “Ação e reação” ou “Causa e efeito” aos olhos da Doutrina espírita não são a representação da Lei de Talião. Esta pregava a reciprocidade entre Crime e Pena, ou Algoz e Sofrimento.

    Como o Apostolo Pedro falou: “[..] o Amor cobre multidão de pecados. [..]”

    Parabéns pelo Trabalho!

    Grande abraço João.

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    1. Saudações meu querido amigo Alessandro! É um grande prazer poder reencontrá-lo, mesmo que virtualmente.
      Confesso que sou meio esquecido, mas não lembrar de você, da Isabel e da Tia Celeste seria renegar meu passado. Todos vocês fizeram parte da minha juventude, e tenho boníssimas lembranças da MEGD, dos EMEI´s, dos Encontros em Mambucaba, lembra? São essas amizades sinceras que permanecem intactas, mesmo depois de tantos anos. Isso é combustível transformador da vida. Sou muito grato pela sua lembrança!
      Acredito que devo ter visto a(s) sua(s) filha(s) através do facebook da Tia Celeste. Ela sempre posta fotos com as netinhas. Meus parabéns meu amigo!
      Pois bem, Alessandro! Suas observações são valiosíssimas. O rancor, o ódio, a mágoa por alguém que nos fez mal apenas nos causam mais sofrimentos. Ficamos presos ao passado e clamamos por uma psedo-justiça que desejamos que seja feita pelas nossas próprias mãos. Daí concluímos que somos ainda espíritos ignorantes das leis espirituais. Ou pior, somos espíritos com certo grau de consciência das leis divinas, mas que persistem em transgredi-las.
      É evidente que não temos condições de simplesmente esquecer o mal que nos fizeram. Mas temos a capacidade de olhar para esse passado, que nos aprisiona, de maneira diversa. É como uma criança que chora inconsolável por levar um castigo da mãe e que hoje, já adulta, dá risadas do fato, pois tem consciência das peripécias que fazia no passado. A Doutrina nos inspira, a todo instante, olhar o mundo de maneira mais ampla, mais espiritual.
      Muito obrigado meu amigo por suscitar essas questões!
      Um grande abraço!

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  3. João, que bom apontamento nos traz seu artigo: de que devemos retribuir o mal com o bem. A vingança é um tema complicado, mas seu artigo traz uma boa reflexão e como diz a poesia "nunca 'jogue uma bola na vida' de forma que você não esteja pronto a recebê-la'. Que possamos plantar o bem que queremos colher. Grata mais uma vez. Abraço.

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    1. Obrigado minha querida amiga Vinícia mais uma vez pelas suas palavras e contribuições aqui no blog!
      Pois é minha querida! A frase que destacou que é atribuída a Einsten, expressa de forma poética o princípio filosófico espírita de que somos os únicos causadores de nosso próprio sofrimento. Sofrer é resultado do mau uso de nosso livre-arbítrio, pois agimos sem a observância da lei natural, transgredindo-a apenas para satisfazer as nossas paixões.
      Nesse contexto, a vingança é resultado da nossa inferioridade moral, e esse sentimento nos causa sofrimento, mas muitas vezes, não nos damos conta disso. Prosseguimos em frente com nossos projetos infelizes de vingança até chegarmos no fundo poço, quando nos revoltamos da situação que vivemos.
      Vinícia, eu sei perfeitamente que este tema complicado (e ele é mesmo), não se esgota com algumas linhas. Mas sou grato por suscitar essas breves reflexões.
      Peço perdão minha querida pela demora na resposta, pois eu já tinha lido a sua postagem e estava com dificuldades para respondê-la.
      Por fim! Estava sentindo falta da sua participação! É sempre um prazer ouvi-la e respondê-la! Muito obrigado Vinícia!
      Um grande abraço!

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