sábado, 27 de dezembro de 2014

Vivemos como Alice?

Filme "Alice no País das Maravilhas" de 1951 (Walt Disney)
A virada do ano sempre nos suscita à reflexão e avaliação sobre nossas realizações no ano que se passou. Questionamo-nos se os objetivos planejados foram alcançados ou fracassados, com o fim de projetar novos planos para o futuro. O réveillon é um momento para renovar as energias, sendo um novo recomeço, com entusiasmo e esperança de um ano novo mais próspero que o velho.
Planejamos a aquisição de novos bens: comprar um apartamento, um lap top, celular, tablet etc..., ou fazer uma viagem. Doutras vezes, planejamos uma conquista intelectual: terminar o ensino médio, passar no vestibular ou no Enem, concluir uma faculdade ou pós-graduação. Pensamos em nossa ascensão profissional e financeira: passar num concurso, abrir ou ampliar seu empreendimento, conseguir um emprego, uma promoção, ou até mesmo trabalhar numa empresa que nos valorize mais. Mas há planos para o lado afetivo: se casar, ter filhos, constituir uma família.    
Todos esses objetivos são legítimos, desde que façamos com honestidade, e devemos nos empenhar para alcançá-los.
Esta reflexão me remete a personagem de “Alice no País das Maravilhas”, obra literária do inglês Lewis Carroll. Fazemos abaixo um breve resumo de seu livro:
Ele conta a estória de Alice, uma garota que estava entediada quando de repente viu um coelho branco correndo, afirmando que estava atrasado. Ele chegou a tirar um relógio de seu colete e apressou o passo até a sua toca. Aquela imagem despertou a sua curiosidade que a faz correr atrás do coelho e sem pensar mergulha em sua toca. A partir daí, Alice entra num mundo mágico onde tudo é possível: ela crescia e diminuía de tamanho, conversava com animais e outros seres bem pitorescos dentre os quais citamos: a lagarta azul, o chapeleiro maluco, o gato de cheshire (ou sorridente), a rainha de copas e muito mais. Enfim, ela viveria experiências que jamais teria no mundo real.
Alguns podem afirmar que esta fábula é apenas para entreter crianças, mas podemos tirar várias lições para nós adultos como segue abaixo:
Alice está perdida. Ela se encontra num país desconhecido. Mas num dado momento ela cai em si e tem um plano. Esse plano tem duas fases: 1ª: ela precisa crescer para ter autoridade e respeito sobre os animais e seres que lá vivem. 2ª encontrar o jardim encantado.
Ela tem a oportunidade de crescer e consciência de que alcançou a metade de seu plano, mas algo lhe desvirtua e resolve ficar pequena novamente. Ela simplesmente esquece seu plano e vive como diz a música: “Deixa a vida me levar...” .1
Noutro momento ela está no meio de uma floresta densa, quando encontra um gato e lhe faz a seguinte pergunta:
“Você poderia me dizer, por favor, qual o caminho para sair daqui?”
“Depende muito de onde você quer chegar”, disse o Gato.
“Não me importa muito onde...” foi dizendo Alice.
“Nesse caso não faz diferença por qual caminho você vá”, disse o Gato.2
Pergunto: Vivemos como Alice? Será que somos suficientemente persistentes para conseguir alcançar nossos objetivos? Será que a cada pedra no caminho que nos faz tropeçar e cair nos desvirtua dos planos traçados por nós mesmos? Será que queremos chegar a algum lugar?
Vamos refletir com a visão de Jesus de Nazaré. Ele nos ensina: “... não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer?’ ou ‘Que vamos beber?’ ou ‘Que vamos vestir?’...Busquem, em primeiro lugar o Reino de Deus e toda sua justiça, e todas essas coisas lhe serão acrescentadas”3
Observem que Jesus não recomenda simplesmente que esqueçamos as coisas materiais, mas que a coloquemos no seu devido lugar. Devemos dar preferência às questões do espírito, ou seja, a conquista das virtudes: a humildade, o altruísmo, a indulgência, benevolência, perdão e o amor para com o próximo.
A aquisição das virtudes passa primeiro pelo conhecimento de si mesmo, um trabalho silencioso, mas que é a chave para o progresso individual. Assim que identificarmos quais são os nossos defeitos e virtudes, seremos capazes de traçar um plano eficaz para combater nossas más inclinações e ampliar aquilo que há de bom em nós. 
    Este deve ser o nosso plano principal, pois somos viajantes em terra desconhecida, como Alice, e retornaremos um dia a nossa terra Natal, que é o Reino de Deus, segundo Jesus, ou mundo Espiritual, segundo o Espiritismo, e só levaremos para lá o que estiver em nosso coração.
Por João Viegas
Referências bibliográficas:
Deixa a vida me levar (3ª faixa do álbum “Deixa a vida me levar”)
        3.    Mateus cap. 6 vv 31 e 33. 

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6 comentários:

  1. Olá amigo João!
    Eu sempre achei esse filme uma chatice, mas agora, através do teu comentário, eu vejo como essa historia é rica e cheia de lições. Parabéns pela interpretação.
    Antº Carlos.

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    1. Saudações meu nobre amigo Antônio Carlos!
      Muito obrigado pelas suas palavras. Fico feliz por suscitar esta reflexão. Busco utilizar as artes de maneira geral como recurso didático para chamar a atenção do leitor e facilitar a compreensão do tema proposto. Um grande abraço!

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  2. João, adorei sua interpretação de Alice e a comparação do mundo real com o espiritual excelente (fiquei imaginando nossa vida atual e a viagem de Alice..). Achava que tinha relação com o autoconhecimento Alice, mais sem dúvida vc foi mais a fundo. Essa questão do autoconhecimento se apresenta de fato como central para o nosso crescimento. De todo modo, fiquei com vontade de assistir ao filme novamente.. Abraços!

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    1. Muito obrigado Vinícia pelas suas palavras!
      As artes, de maneira geral, possuem a versatilidade incrível de impressionar cada indivíduo de maneira diferente. Assim, podemos interpretá-las de acordo com as nossas vivências, cultura, conhecimento e caráter, sem que ninguém esteja equivocado no seu ponto de vista. Uma nova perspectiva não diminui as anteriores, apenas mostra que as artes são uma ferramenta maravilhosa para entreter, sensibilizar e educar.
      Apenas uma observação: quando escrevi esse artigo, eu me basiei na obra literária de Lewis Carroll. Assim, pode acontecer que alguns fatos registrados nele não estejam na obra cinematográfica da Disney (Desenho de 1951). Mas o encontro de Alice com o gato foi mantido no filme.
      Um grande abraço!

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  3. Excelente!!! A sua leitura sobre a história da Alice foi extremamente pertinente, pois levanta a questão do quanto é importante o estabelecimento de objetivos para que a nossa vida tenha algum sentido. Caso contrário, qualquer caminha serve. A proposta de inversão de alguns valores fecha de forma primorosa, tendo em vista que sugere que priorizemos metas que nos permitam construir tesouros que possam ser levados em nossos corações para a pátria espiritual. Uma sugestão: numa outra oportunidade, vale explorar um detalhe obscuro dessa fábula. Temos uma criança que está num lugar desconhecido,, que aceita beber algo oferecido por alguém que não conhece e confia nas informações e conselhos de um gato sinistro. Um grande abraço, meu irmão!

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  4. rsrsrs... tem razão meu irmão! Existem algumas mensagens subjetivas nesta obra literária que merecem análise. Suas considerações são pertinentes. Acrescentamos que, do ponto de vista da educação infantil, as atitudes de Alice são um bom exemplo daquilo que não deve ser feito pelas crianças rsrs... Suas ações inconsequentes acabam lhe trazendo prejuízos. Por isso, avalio que é uma obra para público infantil, desde que esteja acompanhado pelos pais ou responsáveis. Estes, por sua vez, devem abrir o debate com seus filhos sobre essas mensagens e procurar trazer para o dia-a-dia das crianças.
    Mais uma vez sou grato pelas suas palavras e contribuições!
    Um grande abraço!

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