sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Os Ruídos e a Essência do Natal

Imagem de Papai Noel elaborada por Thomas Nast
É Natal! É Natal!... É tempo de 13º! É tempo de promoções nas lojas! É tempo de comprar! É tempo de troca de presentes! É tempo de mesa farta! É tempo de extravasar na comida e na bebida! É tempo de colocar o pisca-pisca nas janelas! É tempo de montar a árvore de Natal! É tempo de Papai Noel! Diante da avalanche de informações que envolvem o Natal, como lembrar daquilo que é essencial neste dia?
O Natal que a humanidade hoje vive pode ser comparado a uma emissora de rádio que concorre com outras piratas que estão na mesma frequência. O ouvinte não consegue discernir o que vem dela do que é uma invasão. Tudo que se ouve parece ser ruído. Precisamos de um filtro para reter as interferências e receber, de forma limpa e clara, apenas a transmissão da legítima emissora. Para isso, vamos buscar, historicamente, de onde vieram alguns símbolos e ritos que fazem parte do Natal.
Troca de presentes e banquetes. Apontamos duas referências: uma está na Bíblia; no livro atribuído a Mateus narra o encontro dos magos com o menino Jesus para lhe adorar, oferecendo ouro, incenso e mirra. Outra está no festival romano Saturnalia, em homenagem ao deus Saturno, que ocorria em meados de dezembro. A Saturnalia tinha início com grande banquete; os participantes tinham o hábito de visitar seus amigos e presenteá-los. Era a festa mais popular entre os romanos, que durava de 3 a 7 dias, onde as regras sociais podiam ser quebradas. Esta festa continuou até o séc IV D.C., quando seus rituais foram absorvidos pelo Natal.1 e 2
Papai Noel. Apesar de ser considerada uma lenda, sua origem é real, se trata de São Nicolau, bispo na Turquia que viveu no séc. IV e costumava ajudar pessoas pobres, pondo moedas de ouro nas chaminés de suas casas no Natal. Porém, a imagem que se tem hoje de Noel foi elaborada no séc. XIX pelo cartunista Thomas Nast, sendo posteriormente utilizada em campanhas publicitárias de várias empresas, devido à popularidade do bom velhinho.3 e 4
Podemos observar, através desta brevíssima pesquisa histórica feita acima, que muito dos costumes do Natal não tem relação alguma com seu aniversariante. Infelizmente, a grande maioria é de origem humana, que satisfazem a uma determinada necessidade, interesses materiais de pessoas e grupos sociais. Diante deste turbilhão de informações, eu pergunto:
- Qual é a essência do Natal?
Se o aniversariante é Jesus de Nazaré, quais são os presentes que devemos oferecê-lo? Ouro, incenso e mirra como fizeram os magos?
Para responder a esta pergunta, recorro ao capítulo XV de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”: Fora da Caridade Não Há Salvação. A passagem é novamente de Mateus que segue abaixo na íntegra:
Ora, quando o filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, sentar-se-á no trono de sua glória; – reunidas diante dele todas as nações, separará uns dos outros, como o pastor separa dos bodes as ovelhas – e colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.
Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino que vos foi preparado desde o princípio do mundo; – porquanto, tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; careci de teto e me hospedastes; – estive nu e me vestistes; achei-me doente e me visitastes; estive preso e me fostes ver.
Então, responder-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? – Quando foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? – E quando foi que te soubemos doente ou preso e fomos visitar-te?
– O Rei lhes responderá: Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes.
Dirá em seguida aos que estiverem à sua esquerda: Afastai-vos de mim, malditos; ide para o fogo eterno, que foi preparado para o diabo e seus anjos; – porquanto, tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber; precisei de teto e não me agasalhastes; estive sem roupa e não me vestistes; estive doente e no cárcere e não me visitastes.
Também eles replicarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome e não te demos de comer, com sede e não te demos de beber, sem teto ou sem roupa, doente ou preso e não te assistimos?
– Ele então lhes responderá: Em verdade vos digo: todas as vezes que faltastes com a assistência a um destes mais pequenos, deixastes de tê-la para comigo mesmo.
E esses irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna.5
O auxílio ao próximo, seja ele quem for, é a resposta da essência do Natal. Este auxílio independe de tempo e lugar. É por isso que afirmamos que o “Natal deve ser vivido todos os dias!”.
Caro leitor, não é minha intenção convencê-lo de deixar de praticar os costumes Natalinos. Podemos praticá-los, porém, dando um sentido mais espiritualizado a esses costumes. Assim, o Natal é tempo de presentes, mas também de reconciliação, é tempo de mesa farta, mas também de gentileza, é tempo de Papai Noel, mas também de solidariedade, é tempo de enfeitar nossa casa, mas também de caridade. Pensemos nisso! Um Feliz Natal!
Por João Viegas

Referências bibliográficas:
1. Saturnais – Tempo de presentes - Anais da XXV Semana de Estudos Clássicos, Intertextualidade e Pensamento Clássico, 13 a 16 setembro de 2005. Departamento de Letras Clássicas – Faculdade de Letras / UFRJ - ISBN 85-87043-54-4

5.    KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 99ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, O Que precisa o Espírito para se salvar. Parábola do bom samaritano, cap. XV Fora da Caridade não Há Salvação. 

Deixe aqui seu comentário. Faça sua crítica, elogio e/ou sugestão. Este é um ambiente para debatermos sobre o Espiritismo. Esteja à vontade.
Se desejar orientações de como proceder para postar um comentário, clique no link abaixo:

2 comentários:

  1. João, o artigo é ótimo sucinto e bem claro!! Grata pela pesquisa e explicação! Em especial, por nos lembrar da caridade para com o próximo, que se configura, segundo as próprias palavras do Cristo, como aquele que tem fome ou que necessita da nossa ajuda de alguma forma. Abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Minha querida amiga Vinícia! Estou muito feliz pela sua participação e colaboração no blog. Tão importante quanto difundir a Doutrina é criar e fortalecer os laços de amizade, "mesmo que o tempo e a distância digam não!", pois seu propósito se perderia se assim não o fizéssemos. Sou muito grato pela sua amizade.
      Pois bem! Agradeço também pelo seu elogio. Que bom que gostou do texto. Como você muito bem observou, esse artigo foi apenas uma breve pesquisa do que existe por trás do mito Jesus Cristo, pois ainda há muita coisa sobre ele que agente desconhece.
      Um grande abraço!

      Excluir