quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Sou Louco ou Sou Médium?

Caíque é o personagem vivido pelo ator Sérgio Guizé
A Rede Globo de Televisão lançou neste mês de novembro a sua novela das 7hs “Alto Astral”, obra de Daniel Ortiz, com direção de Núcleo de Jorge Fernando. A novela é protagonizada pelos atores Natália Dill, Thiago Lacerda e Sérgio Guizé. Trata-se de uma comédia romântica com fundo espiritualista.1
Caíque, personagem vivido por Guizé, é um rapaz que desde a sua infância é atormentado por visões. Marcos, vivido por Lacerda, é seu irmão mais velho e sempre teve vergonha dele por se passar por louco diante das pessoas. Após sofrer um acidente de avião no qual Caíque teve sua perna quebrada durante a queda, ele só conseguiu sair das ferragens e escapar da explosão depois que uma dessas visões apareceu e o curou. Mais uma vez a sua mãe e seu irmão não acreditaram nele.
Caíque cresceu e se tornou médico. No entanto, suas visões reapareceram depois de adulto. A mesma visão que lhe salvou do desastre volta a lhe atormentar, afirmando que também é médico, mas já morreu e que precisa fazer um trabalho junto com ele.
Desesperado e sem compreender o que se passa, Caíque busca ajuda de seu amigo psiquiatra Fernando que, felizmente e para grande surpresa do público, acredita que ele seja médium e que realmente esteja se comunicando com as almas dos mortos.2 e 3
Esta novela retrata a difícil situação de muitas pessoas que vivem a experiência de ter visões e/ou de ouvir vozes, e por falta de conhecimento das leis espirituais são tachadas pela sua família e sociedade por louco e pela Medicina por alguma patologia psiquiátrica.
No entanto, a mediunidade desajustada ou mal empregada pode causar vários problemas ao médium, dentre eles citamos a obsessão estudada por Kardec, que é o maior escolho da mediunidade. Se ela não for tratada, tanto do ponto de vista do obsessor, mais principalmente do ponto de vista do obsidiado, com a sua mudança de conduta moral e ética diante do próximo, esse processo de influência persistente pode se agravar, e em casos extremos se tornar uma subjugação corporal ou mesmo uma possessão, no qual a pessoa perde o controle sobre si mesma. Vejamos os esclarecimentos dos Espíritos a esse respeito:
A subjugação corporal, levada a certo grau, poderá ter como consequência a loucura?
“Pode, a uma espécie de loucura cuja causa o mundo desconhece, mas que não tem relação alguma com a loucura ordinária. Entre os que são tidos por loucos, muitos há que apenas são subjugados; precisariam de um tratamento moral, enquanto que com os tratamentos corporais os tornamos verdadeiros loucos. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão mais doentes do que com as duchas.”4
O Espiritismo não nega a existência das patologias psiquiátricas, mas é seu desejo separar o que é realmente doença daquilo que é problema espiritual. Assim, a Ciência do Espírito vem exatamente cobrir a lacuna que a Ciência da Matéria não consegue fechar, pois muitos fenômenos da natureza são ignorados por ela, por não admitir a existência do Espírito.
Kardec resume esta questão de forma brilhante como segue abaixo:
“Assim como a Ciência propriamente dita tem por objeto o estudo das leis do princípio material, o objeto especial do Espiritismo é o conhecimento das leis do princípio espiritual. Ora, como este último princípio é uma das forças da Natureza, a reagir incessantemente sobre o princípio material e reciprocamente, segue-se que o conhecimento de um não pode estar completo sem o conhecimento do outro. O Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência, sem o Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e comprovação.”5
Apesar de muitos equívocos e desenganos, a Ciência já fez alguns progressos neste sentido. O Código Internacional de Doenças, conhecido como CID-10, é um documento publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que visa padronizar e codificar todas as patologias conhecidas pela Ciência. O CID-10 é amplamente utilizado por profissionais de saúde com o intuito de ajudá-los na pesquisa de diagnósticos clínicos de seus pacientes.
    O CID, no seu item F.44.3 - Estados de Transe e Possessão - configura como diagnóstico médico e qualifica o transe patológico (mediunidade/doença) quando o indivíduo não tem controle sobre o fenômeno, ocorrendo de forma involuntária e não desejada. Mas não é considerada doença o estado de transe (mediunidade/saúde) sob domínio da pessoa em seu contexto cultural ou religioso.6
      Portanto, os médiuns que empregam suas faculdades sensitivas em sessões espíritas ou em instituições religiosas que se utilizam de tais práticas, não possuem patologia de qualquer natureza conforme o CID-10.
Os médiuns, como Caíque da novela “Alto Astral”, que insistem em negar que o são e vivem atormentados pela sua própria faculdade, devem refletir sobre a sua postura diante do dom de ser intermediário entre os mundos espiritual e material. Eles devem perceber que tem diante das mãos a belíssima oportunidade da prática no bem pelo bom uso da sua faculdade e a possibilidade ímpar de ser mais um a contribuir na demonstração da imortalidade da alma perante a nossa Sociedade tão materialista. Por fim, as filosofia e ciência espíritas bem compreendidas por médiuns e seus familiares é altamente consoladora e esclarecedora, algo que nem a ciência e nem as religiões podem oferecer a humanidade.
 Por João Viegas
 Referências bibliográficas:
3. http://gshow.globo.com/novelas/alto-astral/capitulo/2014/11/7/laura-termina-noivado-com-marcos.html
            Obs: assista as 1ª, 6ª e 7ª cenas do capítulo de Sexta 7 de novembro da novela Alto Astral.
     4. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 64ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Capítulo XXIII – Da Obsessão, Segunda Parte – Das manifestações espíritas.
5. KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. 38ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Capítulo I – Caráter da da revelação espírita.
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8 comentários:

  1. Saudações Valdenia!
    Muito obrigado!
    Um grande abraço!

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  2. Gostei bastante do texto, pois passou muitas informações sobre as dificuldades que uma pessoa que é médium tem junto à família e a sociedade.

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  3. Saudações Sebastião Assis!
    Muito obrigado pelo seu comentário!
    Uma das preocupações deste artigo é deixar as pessoas envolvidas (médiuns e familiares) munidas de informações para que compreendam a faculdade mediúnica e aceitem como um dom natural, que se for bem empregado, tem a capacidade de fazer o bem. Assim, nem os médiuns e seus familiares devem se lamentar por ter este dom, e sim agradecer pela oportunidade que tem nas mãos de ajudar o próximo.
    Um grande abraço!

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  4. João, parabéns pela sua postagem.
    Embora saibamos tratar-se de uma obra de ficção, nós que estudamos o assunto sabemos da importância dos esclarecimentos sobre a mediunidade em desalinho.
    O ator representa, perfeitamente, o médium obsediado. Não representa todos os comportamentos, pois há pessoas que convivem pacificamente a mediunidade.
    Embora seja uma obra de ficção, esperamos que a suposta loucura seja afasta para dar lugar ao seguro médium contribuidor do bem.

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  5. Saudações meu amigo Caetano!
    Agradeço pelas suas palavras e pela sua colaboração no blog.
    A arte, além de ser um instrumento de entretenimento, pode ser uma ferramenta poderosa de aprendizado a toda gente, independente de suas crenças e/ou convicções. É um recurso pedagógico que normalmente desperta a atenção das pessoas e que, particularmente, gosto muito de usá-lo.
    Como trata-se de uma obra espiritualista, só precisamos "garimpar" aquilo que realmente nos interessa, sem desmerecer o conjunto da obra, pois como foi dito pelo amigo, é apenas uma ficção.
    Muito obrigado e um grande abraço!

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  6. A linha que separa a loucura e a vivência da mediunidade é muito tênue. Aliás, muitas vezes, é possível que a pessoas esteja habitando os dois lados. Realmente, como você bem disse, a visão do homem integral trazida pelo o Espiritismo tem potencial imenso para contribuir com a medicina no sentido de tratar essas pessoas que sofrem tanto com isso. Valeu mais uma vez!
    A sua iniciativa em utilizar um blog para divulgar a Doutrina Espírita tem me ajudado a relembrar de muitas coisas que estudamos na mocidade. Ultimamente, tenho me dedicado a estudar o Evangelho e ler os seus artigos tem me lembrado que eu preciso destinar mais tempo para estudar as outras partes da doutrina. Continue nessa tarefa, meu irmão... Um forte abraço...

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    1. Querido Irmão! Agradeço mais uma vez pelas suas contribuições e pelas palavras de incentivo! Pois bem, esse tema deve ser mais estudado e aprofundado por nós espíritas, principalmente do ponto de vista científico. Esses estudos devem esmiuçar a linha tênue de que fala, com fins de esclarecimento e consolação às famílias que possuem membros com esse diagnóstico. Além disso, esse tema atinge diretamente a questão da demonstração da imortalidade da alma através da mediunidade, o que é capital para o Espiritismo. Portanto, ele será um das linhas de trabalho deste blog. É um desafio que desejo enfrentar.

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