segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Ponto de Vista

Escultura de Chico Niedzielski no Parque das Águas–SP
O dia de finados é celebrado pela Igreja Católica no dia 2 de novembro. É o dia no qual os fiéis lembram e oram1 pelos entes queridos que faleceram, visitando seus túmulos nos cemitérios. Sabemos que todos nós passamos ou vamos passar algum dia por essa perda, pois a vida quanto à morte são fenômenos naturais que sempre estão perto de nós. Portanto, é nosso dever nos esforçar em compreendê-los, sem nos ater às práticas exteriores, mas fundamentalmente refletir sobre qual deve ser a nossa postura mental diante da vida e da morte. 
Os espíritas que possuem o bálsamo de informações que o Espiritismo lhes proporcionam, precisam encarar a vida terrena de um ponto de vista mais amplo, para que as dores e mazelas físicas e morais sejam digeridas de maneira diversa.
Os Espíritos Superiores esclarecem que a vida encarnada é uma prisão. Isto significa que nós, espíritos imortais, seres inteligentes do Universo, criados por Deus simples e ignorantes, cuja meta é alcançar a perfeição pelos nossos próprios esforços, estamos presos temporariamente ao nosso corpo físico para galgar um degrau na escala evolutiva. A vida na Terra deve ser vista apenas como uma gota d’água diante do oceano do mar que é a imortalidade da alma.
Inspiro-me no comentário de Kardec à pergunta 936 de “O Livro dos Espíritos”2 para propor a seguinte situação: vamos supor que estejamos presos. É fato que todo presidiário quer sua liberdade. Mas, primeiro, é necessário pagar pela sua pena. Na carceragem ganhamos amigos e até adversários. Apesar das condições difíceis do cárcere, ganhamos uma amizade sincera e sem interesses. O que diríamos a um companheiro que está prestes a se libertar por ter cumprido a sua pena?
- “Por favor, não vá, não me deixe só, fique comigo!!
A grande maioria vai concordar que esta resposta é de alguém que está pensando no seu bem, mas não no bem do seu próximo.
No entanto, se nos depararmos com momentos de perigo e dores em nossa família causados por um acidente ou enfermidade, devemos lutar com todas as nossas forças, buscando o auxílio da nossa inteligência, da ciência e também da Espiritualidade Superior para o restabelecimento da saúde. Este é um dever que não podemos nos eximir, pois está em conformidade com a Lei Divina de Conservação3. São provas que devemos enfrentá-las com confiança e resignação, pois só a Deus compete decidir o momento derradeiro do corpo físico.
Sofrer pela perda de um ente querido é legítimo, seja qual for a sua convicção filosófica ou crença religiosa. Devemos respeitar o momento de tristeza do outro e até chorar junto com eles. Em momentos de aflição como este, elevemos nosso pensamento ao Pai, pedindo o auxílio dos amigos espirituais para nós e para quem partiu, rogando equilíbrio e sabedoria. Devemos entender que cada um de nós tem seu tempo para digerir as suas dores. Esse tempo dependerá fundamentalmente do ponto de vista no qual se encara a vida.
Devemos ter o cuidado em não transformar essa dor num desespero sem fim, numa melancolia e depressão sem volta. A vida segue tanto para quem fica quanto para quem partiu para a verdadeira Pátria. Se ainda estamos por aqui, é porque a nossa tarefa ainda não terminou. O nosso pensamento desajustado, por não aceitar a perda de um ente querido é maléfico para nós, pois paralisamos nossas vidas, e também para os que se foram, pois eles sofrem por estarmos sofrendo.
A certeza da vida futura, que a Doutrina nos ensina e nos atesta através das inúmeras comunicações daqueles que se foram através da mediunidade, além da convicção e confiança em nosso Pai de infinita misericórdia, justeza e bondade deve ser o nosso consolo. Para a vida valer a pena, ela tem que ser feita de superação. Devemos nos empenhar em transformar a nossa lembrança em algo bom, belo, que traga alegria, leveza e bem-estar.        
    Por João Viegas
Referências bibliográficas:
2.    KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Perda de Entes Queridos, cap. I Das penas e gozos terrestres, Parte Quarta – Das esperanças e consolações
3.    KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, cap. V, Parte Terceira – Da Lei de Conservação
4.    KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, cap. VI, Parte Terceira – Da Lei de Destruição
5.    KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 99ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Perda de pessoas amadas. Mortes prematuras, cap. V Bem-Aventurados os Aflitos
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2 comentários:

  1. Eu acho que nós ainda somos muito apegados a matéria, e apesar das comunicações ainda tememos o "desconhecido".
    Antº Carlos

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  2. Saudações meu amigo Antônio Carlos!
    Fico muito feliz pela sua participação no blog "Espiritismo na Essência", dando a sua contribuição. Esteja sempre à vontade para fazê-lo quando desejar.
    Pois é, meu amigo, você está coberto de razão. Ainda não conseguimos vencer a influência que a matéria exerce sobre nós, e essa luta deve ser um trabalho incessante de mudança de pensamento e de comportamento. Por isso, uma das propostas deste blog é exatamente essa: a imortalidade da alma deve ser uma convicção de mulheres e homens, não apenas pelo debate filosófico, mas pela elaboração do conhecimento científico, em especial, a ciência espírita.
    Para que as nossas crenças, muitas das vezes balizadas pela religião, possam ser realmente transformadas em convicções, o caráter científico da Doutrina precisa ser resgatado, e, humildemente, levanto essa bandeira sem medo e nem preconceitos, pois ela também foi levantada pioneiramente por Kardec.
    Digo isso meu amigo, sem nenhum prejuízo às consequências morais que o Espiritismo traz a mulheres e homens que compreendem a filosofia espírita. Pelo contrário, a convicção que a ciência espírita proporciona das verdades espirituais nos impulsionará cada vez mais a pratica no bem.
    Um grande abraço!

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