segunda-feira, 9 de setembro de 2019

ESPIRITEENS AGOSTO 2019

Segue abaixo mais uma edição do Jornal ESPIRITEENS referente ao mês de agosto de 2019. Este jornal pertence a Juventude Amor e Luz (JAL), da qual sou evangelizador. A JAL acontece todos os sábados no Grupo Espírita Amor e Luz (GEAL), sediado na Rua Ramos Ferreira, Manaus-AM. Segue, portanto, que ele é voltado para o público jovem de 13 a 21 anos. É para mim motivo de muita alegria poder retornar as minhas origens no movimento espírita, trabalhando com jovens, e especialmente poder escrever para eles nesse pequeno trabalho, mas que foi feito com muito amor! Aproveite!

sábado, 6 de julho de 2019

ESPIRITEENS JULHO 2019


Segue abaixo mais uma edição do Jornal ESPIRITEENS referente ao mês de julho de 2019. Este jornal pertence a Juventude Amor e Luz (JAL), da qual sou evangelizador. A JAL acontece todos os sábados no Grupo Espírita Amor e Luz (GEAL), sediado na Rua Ramos Ferreira, Manaus-AM. Segue, portanto, que ele é voltado para o público jovem de 13 a 21 anos. É para mim motivo de muita alegria poder retornar as minhas origens no movimento espírita, trabalhando com jovens, e especialmente poder escrever para eles nesse pequeno trabalho, mas que foi feito com muito amor! Aproveite!



sábado, 8 de junho de 2019

ESPIRITEENS JUNHO 2019


Segue abaixo mais uma edição do Jornal ESPIRITEENS referente ao mês de junho de 2019. Este jornal pertence a Juventude Amor e Luz (JAL), da qual sou evangelizador. A JAL acontece todos os sábados no Grupo Espírita Amor e Luz (GEAL), sediado na Rua Ramos Ferreira, Manaus-AM. Segue, portanto, que ele é voltado para o público jovem de 13 a 21 anos. É para mim motivo de muita alegria poder retornar as minhas origens no movimento espírita, trabalhando com jovens, e especialmente poder escrever para eles nesse pequeno trabalho, mas que foi feito com muito amor! Aproveite!




sábado, 11 de maio de 2019

ESPIRITEENS MAIO 2019

Segue abaixo mais uma edição do Jornal ESPIRITEENS referente ao mês de maio de 2019. Este jornal pertence a Juventude Amor e Luz (JAL), da qual sou evangelizador. A JAL acontece todos os sábados no Grupo Espírita Amor e Luz (GEAL), sediado na Rua Ramos Ferreira, Manaus-AM. Segue, portanto, que ele é voltado para o público jovem de 13 a 21 anos. É para mim motivo de muita alegria poder retornar as minhas origens no movimento espírita, trabalhando com jovens, e especialmente poder escrever para eles nesse pequeno trabalho, mas que foi feito com muito amor! Aproveite!








domingo, 7 de abril de 2019

ESPIRITEENS ABRIL 2019

Segue abaixo mais uma edição do Jornal ESPIRITEENS referente ao mês de abril de 2019. Este jornal pertence a Juventude Amor e Luz (JAL), da qual sou evangelizador. A JAL acontece todos os sábados no Grupo Espírita Amor e Luz (GEAL), sediado na Rua Ramos Ferreira, Manaus-AM. Segue, portanto, que ele é voltado para o público jovem de 13 a 21 anos. É para mim motivo de muita alegria poder retornar as minhas origens no movimento espírita, trabalhando com jovens, e especialmente poder escrever para eles nesse pequeno trabalho, mas que foi feito com muito amor! Aproveitem! 



sábado, 22 de dezembro de 2018

As Controvérsias do Nascimento de Jesus de Nazaré – Onde nasceu?


E tu Belém, terra de Judá ,
de modo algum és o menor entre os clãs de Judá
pois de ti sairá um chefe
que apascentará Israel, o meu povo.1

Representação da cidade Nazaré, à época de Jesus (TV Record)
Ao ler o Evangelho de Mateus, o leitor atento vai observar que ele recorre insistentemente ao Antigo Testamento, numa tentativa de provar que Jesus de Nazaré é o Messias, o Cristo tão esperado pelo povo Judeu.
A citação acima, retirada do livro do profeta Miqueias, é uma evidência desse expediente utilizado por Mateus. 
A cena é a seguinte: Herodes, rei da Judeia, ficou sabendo que magos estavam à procura do “rei dos judeus” que acabara de nascer. Ele ficou bastante perturbado com a notícia e com ele toda Jerusalém. Reuniu os chefes dos sacerdotes e escribas que conheciam da lei judaica e perguntou onde deveria nascer o Cristo. Eis a resposta dada acima.
Por fim, Mateus e Lucas estão de acordo que Jesus de Nazaré nasceu em Belém da Judeia. Porém, as narrativas são bem distintas, pois Lucas cria uma situação bem embaraçosa, do ponto de vista histórico, para justificar o nascimento do Jesus em Belém. Segundo os especialistas, ele estava tentando apagar da história a verdadeira cidade natal de Jesus: Nazaré.14
O objetivo deste artigo é mostrar as evidências a favor da tese de que Jesus nasceu em Nazaré.
Pois bem, em artigo anterior (Quando Jesus nasceu?) já abrimos uma discussão sobre o relato de Lucas acerca do nascimento de Jesus ter ocorrido durante um recenseamento ordenado pelo imperador romano Augusto. Vamos acrescentar o seguinte: “E todos iam se alistar, cada um na própria cidade. Também José subiu da cidade de Nazaré, na Galileia (Grifos nossos), para a Judeia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser da casa e da família de Davi, para se inscrever com Maria, desposada com ele, que estava grávida. Enquanto lá estavam, completaram-se os dias para o parto, e ela deu à luz seu filho primogênito...”2       
Após o menino Jesus executar uma série de ritos previstos na religião judaica (circuncisão e anunciação no templo), Lucas afirma que eles “voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. E o menino crescia, tornava-se robusto, enchia-se de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele”.3
José e Maria viajam de Nazaré, para Belém da Judeia (TV Record) 
Esses trechos de Lucas deixam claro que José e Maria moravam em Nazaré, na Galileia, antes mesmo do nascimento de Jesus. Deixam claro também, a despeito dele ter nascido em Belém, ele foi criado em Nazaré.
Ambos os evangelistas, Mateus e Lucas, fazem questão de afirmar que José, pai ou pai adotivo de Jesus, como quiserem chamar, é da linhagem do rei Davi. Este argumento é de extrema importância para Lucas ter que justificar a ida de José à Belém, em decorrência do recenseamento, haja vista que Belém é a cidade de Davi.
No entanto, Mateus vai mais longe. Afirma que após o nascimento de Jesus em Belém, a sagrada família teve que fugir para o Egito para salvar o menino Jesus da ira de Herodes (a tal estória da matança das crianças). Eles retornam para Israel apenas após a sua morte, e foram morar numa cidade chamada Nazaré (Grifos nossos), para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas: Ele será chamado Nazoreu.4 
Apesar de Mateus evocar os profetas para justificar o retorno da sagrada família a Nazaré, a própria Bíblia de Jerusalém admite não saber ao certo de onde Mateus tirou esta afirmação.
Do ponto de vista histórico, Herodes tem a fama de ser violento e cruel, pois mandou matar diversos membros de sua família: três filhos e a mulher. Porém, não constam registros de matanças de crianças durante seu reinado na Judeia. Sendo assim, essa passagem pode ser um esforço de Mateus em mostrar que Jesus é o novo Moisés. Segundo a Bíblia de Jerusalém, há uma tradição rabínica que diz que o Faraó mandou matar as crianças recém-nascidas, após tomar conhecimento do nascimento de Moisés. A fuga da sagrada família para o Egito é outro paralelo entre esses dois personagens, pois ambos saíram do Egito em direção a Israel.12 Deve ser levado em consideração também as diversas evocações feitas por Mateus para justificar os eventos do nascimento de Jesus.
Matança de crianças ordenada por Herodes.(TV Record)
Há outras passagens de Mateus que evidenciam que Jesus viveu em Nazaré. Tem uma que ele afirma que Jesus deixou Nazaré para morar em Cafarnaum, após a prisão de João Batista5.  Outra diz que Jesus veio da Galileia até o Jordão para ser batizado. Marcos é mais específico, afirmando que ele veio de Nazaré para o batismo6. 
Sendo assim, podemos inferir, com boa dose de certeza, que essas passagens mostram que ambos os evangelistas da natividade sabiam que Jesus viveu em Nazaré, na Galileia.
O fato de Jesus ter nascido, pelo menos, 10 anos antes do recenseamento (tema já discutido em artigo anterior), mostra que foi uma manobra de Lucas para tentar justificar o nascimento de Jesus em Belém.
Supondo que José tivesse feito a tal viagem de Nazaré para Belém, em que circunstâncias isso ocorreria? Belém dista de Nazaré em linha reta aproximadamente 110 Km. Na melhor das hipóteses, Maria, com 7 a 8 meses de gestação, seria transportada em cima de um burrinho, no máximo uma carroça em estradas bem insólitas. Isso faz algum sentido?
a) Mas será que existem outras pistas nos evangelhos que apontam que Jesus nasceu e foi criado em Nazaré?
A resposta é positiva:
Os evangelhos sinóticos, formados por Mateus, Marcos e Lucas, compartilham da visita de Jesus à Nazaré, durante o seu ministério. Como os relatos são muito semelhantes, pode-se inferir que provém de uma única fonte. Por convenção, descrevemos abaixo o relato de Marcos.
Retorno da Sagrada família à Nazaré, após exílio no Egito, (TV Record)
Saindo dali, foi para sua pátria e os seus discípulos o seguiram. Vindo o sábado, começou a ensinar na sinagoga e numerosos ouvintes ficavam admirados, dizendo: “De onde lhe vem tudo isto? E que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais milagres por suas mãos? Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, Joset, Judas e Simão? E suas irmãs não estão aqui entre nós?” (Grifos nossos) E estavam chocados por sua causa. E Jesus lhes dizia: “Um profeta só é desprezado em sua pátria, em sua parentela e em sua casa”...7
As pessoas que ouviam Jesus na sinagoga, provavelmente seus compatriotas, o reconhecem como um membro daquela família (filho de Maria, irmãos de Tiago, Joset, Judas e Simão). O texto deixa transparecer certa mediocridade de Jesus durante a sua criação. É possível inferir que ele provavelmente passou despercebido pela comunidade onde vivia.
O texto de Lucas é o mais longo e o que mais possui variações em relação a Marcos e Mateus. Ele é o único a afirmar categoricamente que “Jesus foi a Nazaré, onde fora criado...”8. É fácil inferir que Lucas troca a palavra “pátria” por “criado” para diferenciar que criado é diferente de ter nascido.
É possível abrir um debate sobre o real significado da palavra “pátria” em grego, uma vez que o entendimento que temos hoje da palavra pode ser diferente daquela usada pelo autor. Porém, não nos sentimos com competência para tal proeza. Enfim, apesar de não estar explícito nos textos, há entendimento entre os especialistas que a “visita a sua pátria” relatada em Mateus e Marcos, trata-se de Nazaré.
Por fim, essa passagem corrobora para a tese de que Jesus viveu em Nazaré até o início de seu ministério.   
b) Mas por que é tão complicado, do ponto de vista teológico, aceitar que Jesus nasceu em Nazaré?
Menino Jesus com sua família em Nazaré (TV Record)
Há duas passagens no evangelho de João que mostram o preconceito dos próprios judeus em relação aqueles que vem da Galileia, em especial de Nazaré. A primeira trata de um diálogo de dois homens acerca de Jesus.
Filipe encontra Natanael e lhe diz: “Encontramos aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas: Jesus, o filho de José, de Nazaré. Perguntou-lhe Natanael: “De Nazaré pode sair algo de bom?” (Grifos nossos)  Filipe lhe disse: “Vem e vê”.9  
Fica claro na passagem que Filipe teve acesso a informações acerca de Jesus. De fato, o texto de João que antecede o diálogo acima, apesar de truncado, afirma que discípulos de João Batista perguntaram a Jesus onde ele morava. Jesus disse-lhe: “Vinde e vede”. Então eles foram e viram onde ele morava e permaneceram com ele aquele dia.10
A segunda é mais escandalosa, pois confronta com a própria tradição judaica de que o Cristo é da descendência de Davi, devendo nascer em Belém.
Alguns entre a multidão, ouvindo essas palavras (de Jesus), diziam: “Esse é, verdadeiramente, o profeta!” Diziam outros: “Esse é o Cristo!” Mas alguns diziam: “Porventura pode o Cristo vir da Galileia? (Grifos nossos) A Escritura não diz que o Cristo será da descendência de Davi e virá de Belém, a cidade onde era Davi?” 11
Essas passagens mostram de forma clara que era de conhecimento geral que Jesus, sem dúvida alguma, era de Nazaré da Galileia. É intrigante observar que o próprio evangelista João nem se dá ao trabalho de esclarecer que apesar de Jesus ter sido criado em Nazaré, ele nasceu em Belém. Essa tese é apenas defendida por Mateus e Lucas    
Portanto, tendo em vista que os evangelistas da natividade naturalmente defendem a tese de que Jesus é o Cristo, o Messias, e que para ser o Cristo fora necessário ser da descendência do rei Davi e nascer em Belém da Judeia, viabilizando a crença dos judeus em Jesus, o que eles poderiam fazer para resolver o problema que era de conhecimento geral que Jesus é de Nazaré?
Imagino como deve ter sido embaraçoso, para ambos os evangelistas, escrever sobre esse assunto. Tendo que adequar a vida de Jesus as crenças cristãs que começavam a brotar no primeiro século da Era Comum.
Por fim, querido leitor, terminamos mais uma viagem acerca das controvérsias do nascimento de Jesus. Uma tese desta natureza, para ser defendida com vigor, faz-se necessário uma extensa argumentação para subsistir, principalmente quando confronta com questões teológicas. Espero sinceramente ter contribuído para a cultura e o entendimento do leitor. Até a próxima!  

Por João Viegas
    Referências bibliográficas:
1. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. Mt cap.2 vv 6.
2. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. Lucas cap 2 vv 3 a 7.
3. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. Lucas cap 2 vv 39 e 40.
4. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. Mateus cap. 2 vv 22 e 23.
5. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. Mateus cap. 4 vv 12 e 13.
6. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. Marcos cap 1 vv 9.
7. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. Marcos cap 6 vv 1 a 4.
8. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. Lucas cap. 4 vv 16.  
9. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. João cap 1 vv 45 e 46.
10. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. João cap. 1 vv 39.
11. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. João cap 7 vv 40 a 42.
12. Felipe Costa Silva. O Relato da Infância de Jesus Segundo o Evangelho de Mateus. Revista Expressão Católica. Jul-Dez-2016
13. http://recordtv.r7.com/novela-jesus/videos?mobile_cookie=true&page=32
14. Miranda, Hermínio. Cristianismo: a Mensagem Esquecida.  1ª edição, novembro 1998. Ed. O CLARIM.

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

As Controvérsias do Nascimento de Jesus de Nazaré – Quando nasceu?


Presépio: representação do nascimento de Jesus
Desde que foi possível analisar e criticar as Escrituras cristãs sem que a Igreja lambesse em chamas seus opositores, inúmeras controvérsias foram descobertas acerca da vida de Jesus: nascimento, criação, Ministério e morte. As diversas “Vidas de Jesus”, obras lançadas por intelectuais dos séculos XVIII e XIX EC, foram ataques contundentes e ácidos ao homem de Nazaré. Essas obras foram o início de uma longa jornada para construir o que hoje a ciência chama da busca do “Jesus Histórico”, ou seja, a busca do homem de carne e osso que está por trás do mito cunhado há milênios pela fé cristã.
Ao aproximar da data natalina, naturalmente suscita nas mentes interessadas questionamentos acerca do seu nascimento. Sendo assim, vamos, neste artigo, buscar responder, com um viés histórico, quando Jesus nasceu.
Antes de iniciar essa discussão, gostaria de fazer um breve esclarecimento para facilitar a escrita. Como estamos adotando uma postura não religiosa, mudaremos o tratamento que se dá as datas citadas. Ao invés de usar A.C (Antes de Cristo) e D.C. (Depois de Cristo), serão utilizadas as siglas AEC (Antes da Era Comum) e EC (Era Comum). Apesar disso, não há qualquer impacto cronológico em nosso calendário.
De acordo com a tradição cristã podemos afirmar, com uma boa dose de fé, pois todo fiel aprendeu na Igreja e responde sem gaguejar, que “Jesus Cristo nasceu no dia 25 de dezembro, há 2018 anos, em Belém da Judéia, numa manjedoura cercado por animais e presentes, estes oferecidos por três reis magos que vieram do oriente para adorá-lo”.
Para rebater e retificar a resposta dada acima, vamos utilizar as próprias Escrituras cristãs e documentos não cristãos para perceber que não foi bem assim que aconteceu. Veremos também que existem alguns fakes acerca do nascimento de Jesus. No entanto, como já foi dito, vamos apenas discorrer sobre quando ele nasceu. Pois bem, vamos lá:
          
a)    Em que ano Jesus nasceu?
São Mateus e o Anjo
As fontes canônicas do Novo Testamento que relatam o nascimento de Jesus de Nazaré são os evangelhos de Mateus e de Lucas. Ao compará-las entre si com outros documentos não cristãos, vamos concluir que existem inconsistências acerca de seu nascimento.  
A primeira delas é que Mateus afirma que “Jesus nasceu em Belém da Judeia no tempo do rei Herodes”1. Segundo fontes não cristãs, Herodes foi rei de diversas regiões, dentre as quais a Judeia de 37 AEC a 4 AEC, ano em que Herodes morreu.
Lucas, no entanto, afirma que “Jesus nasceu durante o recenseamento imposto pelo imperador romano César Augusto a todas as terras sob o jugo de Roma, enquanto Quirino era governador da Síria”2. De fato, segundo fontes não cristãs, Augusto foi imperador de 30 AEC a 14 EC. Ainda assim, de acordo com o historiador judeu Flavio Josefo, o recenseamento sob Quirino ocorreu em 6 EC apenas na Judeia. Diante do exposto, é praticamente certo que Lucas tenha cometido um equívoco, expandindo um evento local a uma escala mundial, pois não há registros de recenseamento a todo o império sob Augusto.
O deslize de Lucas torna-se pequeno quando comparamos com Mateus. Afinal de contas, segundo Mateus, Jesus nasceu no máximo até 4 AEC. Porém, Lucas afirma que o nascimento ocorreu em 6 EC. Ou seja, de qualquer forma, Jesus não nasceu no início desta Era. Como ocorreu este erro?
O responsável por adequar nosso calendário ao nascimento de Jesus foi o Monge Dionísio, o pequeno, no século VI EC. Ele fez basicamente o seguinte: pegou duas informações contidas em Lucas. A primeira é o ano da pregação de João Batista e a segunda é a idade de Jesus neste período. Pois bem, consta que “a pregação de Batista ocorreu no 15º ano do império de Tibério”3. De fato, Tibério sucedeu a Augusto no ano 14 EC.
Naquela ocasião, os anos eram contatos pelo tempo que cada imperador romano permanecesse no poder. Concomitante a essa contagem, havia também a da fundação de Roma. Sendo assim, o 15º ano do império de Tibério corresponde ao 782º ano da fundação de Roma.
São Lucas mostra sua pintura da Virgem Maria
Lucas afirma que “Jesus tinha mais ou menos 30 anos quando começou seu Ministério”4. Daí o Monge Dionísio fez as contas: subtraiu 29 anos completos de Jesus por 782, concluindo que o nascimento ocorreu em 753º ano da fundação de Roma6. Esse ano caiu justamente 4 anos após a morte de Herodes e 6 anos antes do recenseamento de Quirino. Este ano foi batizado pelo Monge com “anno Domini”, que quer dizer “ano do Senhor”, representando o ano de seu nascimento.
Apesar de toda essa confusão envolvendo o ano do nascimento de Jesus, que foi exposta de forma sucinta acima, há um entendimento dos especialistas de que Jesus nasceu no tempo do rei Herodes entre 8 a 6 AEC.    
O leitor atento vai perceber que Dionísio fundamentou-se em informações muito imprecisas fornecidas por Lucas, principalmente no que diz respeito a sua idade. É provável que o Monge não teve acesso a informações sobre quando se deu a morte de Herodes e o ano do recenseamento sob Quirino, ou simplesmente ignorou, confiando na infalibilidade das Escrituras cristãs.
Segue, portanto, que há um entendimento entre especialistas que Jesus começou seu Ministério com pelo menos 33 anos de idade, podendo chegar até 36.  




Agora, se o ano de seu nascimento é um problema, imagine a data. Com efeito, não há registros nos evangelhos, sejam canônicos ou apócrifos, e nem nas documentações não cristãs da data de seu nascimento.
b) Por que os cristãos comemoram o nascimento de Jesus em 25 de dezembro?
Para explicar essa questão, deve ser levado em consideração uma questão histórica.
Foi a partir do século IV EC que o imperador Constantino se converteu a fé cristã, tornando o Cristianismo a religião oficial do império romano7, e deixando para trás o Paganismo. Sendo assim, é provável que a disseminação da nova religião do império tenha provocado a absorção das tradições pagãs ao Cristianismo. Como exemplo, a data de nascimento de Jesus, que os cristãos comemoram em 25 de dezembro, é na verdade, oriunda de uma festa pagã: a festa do Sol invencível.
Do ponto de vista geográfico, existe uma data no ano que possui o dia mais curto e a noite mais longa. Ela é chamada de solstício de inverno, sendo caracterizado como o início do inverno. Segundo o calendário romano, o solstício de inverno era 25 de dezembro.
O Sol para os romanos tinha um significado muito forte, pois acreditava-se que os astros influenciavam nos destinos das pessoas. No caso do Sol, a imagem de um astro que triunfa sobre a noite escura a cada amanhecer, dá a ideia de vitória, e de uma vitória ininterrupta. Sendo assim, era comemorado em 25 de dezembro o nascimento do Sol, pois, os dias subsequentes começam a se alongar e o Sol a brilhar com mais fulgor. 
Figura de Cristo vestido como o Deus Sol.
Portanto, “era uma das grandes festas do Paganismo; solenes e magníficos jogos eram promovidos pelo soberano em honra do Sol Invencível.”5
Tudo que foi exposto acima acerca da data de nascimento de Jesus foi para mostrar que a tradição cristã referente a esse aspecto não está fundamentada nas Escrituras. Que o Cristianismo sofreu influências do Paganismo quando se tornou difundido no império romano, sendo, do ponto de vista histórico, um fato natural, assim como ocorre a fusão de culturas de povos diferentes quando se misturam.
Entretanto, há especulações sobre as possíveis datas ou períodos que Jesus tenha nascido, baseados em alguns indícios, mas prefiro me abster para não ser demasiadamente especulativo.           
Pois bem, querido leitor, terminamos por aqui essa breve viagem acerca das controvérsias do nascimento de Jesus. Espero sinceramente ter contribuído ao seu senso crítico e ter feito com que repensasse a maneira como encara as Escrituras e as tradições cristãs. Até a próxima!
Por João Viegas
    Referências bibliográficas:
1. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. Mateus cap. 2 vv 1.
2. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. Lucas cap. 2 vv 1 a 7.
3. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. Lucas cap. 3 vv 1 a 3.
4. Bíblia de Jerusálem. 1ª edição, 2002. 10ª reimpressão, 2015. Ed. PAULUS. Lucas cap. 3 vv 23.
5. Hollard, Auguste. As Origens dos Feriados Cristãos.
6. Luís Carmelo. O murmurar inquieto dos milénios. Disponível em http://www.bocc.ubi.pt/_esp/autor.php?codautor=94
7. Ehrman, Bart D. O Que Jesus Disse? O Que Jesus não Disse? Quem mudou a bíblia e por quê; tradução Marco Marciolino. 2ª edição, Rio de Janeiro, Editora Agir, 2015. 


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